Os londrinenses estão trocando os ônibus pelos aviões para realizar viagens mais longas. Nos últimos quatros anos, quando comparados os meses de janeiro e fevereiro, a movimentação de passageiros no aeroporto de Londrina teve crescimento de 98,9%, passando de 61 mil em 2008 para 121.359 este ano. Enquanto isso, na rodoviária a redução do volume de passageiros nas viagens interestaduais foi de 11,9%, passando de 138.962 para 122.399 pessoas.
Segundo o superintendente da Infraero em Londrina, Marcus Vinícius Pio, o setor aéreo está apresentando "crescimento substancial" nos últimos anos em razão do bom momento da economia brasileira. "O transporte aéreo é mais sensível às oscilações econômicas. Se a economia vai bem, a avião vai bem", disse.
Pio destacou que as empresas aéreas também criaram atrativos para os passageiros. Passagens mais baratas, promoções com grandes descontos e o parcelamento dos valores são alguns dos itens que ajudam a impulsionar e a encher as salas de embarque dos aeroportos. "A mudança é visível no perfil das pessoas que passaram a usar o transporte aéreo. É comum ver nos aeroportos passageiros que não têm o hábito de voar. Para as grandes distâncias, os aviões são mais práticos e rápidos."
Em viagem de férias para Lisboa, Portugal, Odair Destefânio, 25 anos, optou em trocar o ônibus pelo avião na viagem até São Paulo. "É a primeira vez que viajo de avião. Optamos por algo mais rápido e confortável, além da equivalência de custos", disse. Segundo ele, de Alto Piquiri (Noroeste do estado), até a capital paulista a viagem, se fosse feita de ônibus, duraria em média 12 horas. A mulher dele, Jhenifer Amanda de Almeida, 18 anos, destacou também que o custo, partindo de Londrina, ficou mais barato.
A fisioterapeuta Sara Gisele Lima, 24 anos, que mora em Recife e estava em Londrina visitando familiares, disse que no momento de escolher como viajar grandes distâncias leva em consideração a segurança. "Em rodovias que estão em boas condições e viagens que duram até 10 horas, opto pelo ônibus. Quando a segurança fica comprometida, escolho sempre o avião."
O superintendente da Infraero, Marcus Pio, disse acreditar que os números de passageiros embarcando e desembarcando no aeroporto de Londrina deve continuar crescendo nos próximos meses. A expectativa do órgão é que a movimentação este ano no terminal chegue a 1 milhão de pessoas.
Aumento da frota
Para o gerente administrativo do Terminal Rodoviário de Londrina, Sandro Roberto Boldieri, o acesso facilitado à compra de automóveis nos últimos anos também levou as pessoas a deixarem as plataformas de embarque. "Além da promoção em valores das passagens [de avião], a compra de carros interferiu no movimento, pois para muitos a viagem se torna mais cômoda", disse. Por outro lado, segundo ele, quando o destino das viagens são cidades mais próximas a Londrina, a opção continua sendo o ônibus. "Migração" não assusta, diz Luft
O presidente da Viação Garcia, Mário Luft, discorda de que a queda no volume de passageiros do Terminal Rodoviário de Londrina esteja associada ao aumento do fluxo no aeroporto. A empresa opera as principais linhas de transporte rodoviário do Estado. Na opinião dele, o que está ocorrendo nos últimos anos é o aumento do poder de consumo da população. "O tamanho do mercado cresceu", disse, citando o incremento nas chamadas classes A, B e C. Para Luft, pessoas que antes não viajavam passaram a viajar de ônibus. "E clientes nossos, que tiveram aumento do poder de renda, estão viajando de avião. São alternativas que oportunizam mais opções ao mercado", disse.
Para o empresário, o ônibus continuará na liderança entre os transportes de passageiros. O argumento dele é que o gerenciamento dos ônibus é mais "flexível", uma vez que é possível aumentar a frota de veículos em datas especiais. "Se eu precisar colocar três aviões extras, não consigo. Porém, posso colocar 30 ônibus, por exemplo. O transporte rodoviário está se modernizando, com novos ônibus, sem atrasos e, muitas vezes, chegando no mesmo horário de voos com escalas. A migração de passageiros não está assustando."



