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Lula vai à China para impulsionar comércio já crescente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a China na próxima semana em um momento de comércio crescente entre os dois gigantes emergentes, mas consciente de que o Brasil não deve se tornar excessivamente dependente do país asiático, grande importador de commodities brasileiras.

Em abril a China tomou pela primeira vez o lugar dos Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil, uma tendência prevista para continuar à medida que se fortalecem os laços entre a economia asiática, sedenta por commodities, e o Brasil, grande produtor agrícola e de minerais.

O comércio bilateral vem crescendo desde que Lula visitou a China durante seu primeiro mandato presidencial, em 2004, e a expectativa é de que sua visita focalize a ampliação dos laços entre os dois países, para incluir mais investimentos chineses na maior economia da América Latina e mais exportações brasileiras de bens manufaturados.

Autoridades e analistas dizem que esse último ponto será crucial se o Brasil quiser evitar ser somente importante fornecedor de commodities de valor relativamente baixo à China, em lugar de fornecer bens manufaturados de preço mais alto.

Cerca de 70 por cento das exportações brasileiras à China são principalmente bens como soja e minério de ferro, enquanto 60 por cento das exportações brasileiras para os EUA são compostas de produtos manufaturados.

"Em comparação com os EUA, o risco é de não diversificarmos nossas exportações por nos tornarmos demasiado dependentes dos mercados chineses, e isso, evidentemente, não é bom para ninguém", disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barrall.

"Precisamos diversificar o que exportamos para a China, precisamos diversificar para além da China e precisamos acrescentar valor a nossos bens exportados", completou.

Com a China sendo uma das poucas economias mundiais que ainda está crescendo, apesar da crise econômica global, a soma das exportações e importações brasileiras chegou a 3,2 bilhões de dólares em abril, superando os 2,8 bilhões de dólares movimentados no comércio brasileiro com os EUA.

As exportações para a China aumentaram 65 por cento entre janeiro e abril deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Comércio e da Indústria.

No primeiro trimestre deste ano, a exportação de minério de ferro pela Vale para a China bateu recorde, ultrapassando as 30 milhões de toneladas. Da mesma forma, as vendas de soja em grão do Brasil estão batendo recordes, muito em função da demanda chinesa.

"O fato de a China hoje ser a maior importadora do Brasil não significa que o Brasil tenha sustentabilidade (econômica)", disse José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior brasileira. "Pelo contrário, torna o Brasil mais dependente da China."

ABERTURA DA CHINA

A previsão é de que Lula tente abrir os mercados chineses à carne brasileira e negociar a venda de aviões da Embraer, que tem uma fábrica na China.

O presidente também levará na viagem centenas de líderes empresariais para tentar atrair mais investimentos externos diretos no Brasil, principalmente em infraestrutura, uma prioridade do governo brasileiro.

Acompanhado pelo presidente da Petrobras e boa parte da diretoria da empresa, a expectativa é de que na visita sejam finalizadas as negociações entre a estatal brasileira e o Banco de Desenvolvimento da China, para garantir um financiamento de 10 bilhões de dólares pelo período de 10 anos em troca da garantia do fornecimento de 200 mil barris diários de petróleo ao país asiático.

Os recursos seriam utilizados para o financiamento do Plano de Negócios da estatal para o período 2010/2011, segundo informou o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

Acordos para cooperação mútua na exploração de petróleo nos dois países também poderão ser anunciados.

China e Brasil ainda têm interesses comuns em abrir as portas das instituições multilaterais, que tendem a ser controladas pelos países mais ricos.

"É extremamente importante para o Brasil ter uma parceria com a China, ter um diálogo com a China, para ter posições comuns, em particular no grupo G20 e na OMC (Organização Mundial do Comércio)", disse Barral.

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