Nova Iorque - Com 20% menos empregados, 16 fábricas fechadas e planos para eliminar 2,3 mil revendedoras até o fim do ano que vem, a "nova" General Motors saiu ontem mais leve e menos endividada de sua concordata, que durou apenas 39 dias. A rapidez e a organização do processo foram uma vitória para o governo Barack Obama, que apostou na reestruturação. Agora, a companhia terá de provar que é realmente viável.
A General Motors Company (que substitui a antiga GM Corporation) emerge do processo com 60,8% de seu capital nas mãos dos governo dos Estados Unidos e com apenas quatro marcas de automóveis: Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC. Diferentemente do previsto, a venda ou a eliminação completa das marcas Hummer e Saturn também ficará a cargo da "nova GM". Já a "velha GM", agora batizada como Motors Liquidation Company, permanece em concordata e administrará desde o fechamento de fábricas até a venda de ativos da empresa, como dezenas de imóveis e até mesmo um enorme campo de golfe em Nova Jersey.
Antes da concordata, a GM divulgou um total de US$ 176,4 bilhões em dívidas e obrigações em todo o mundo. A venda de ativos será usada para saldar esses débitos. Mas grande parte da dívida já foi renegociada no processo de concordata, principalmente com sindicatos de trabalhadores, que, em troca, agora detêm 17,5% da companhia. O governo do Canadá tem outros 11,7%, e a "velha GM" acabou ficando com participação de 10% na nova empresa.
Até o fim deste ano, o governo dos EUA terá injetado cerca de US$ 50 bilhões (um quarto das reservas em dólares do Brasil) na montadora. Como parte do processo de reestruturação, e por exigência estatal, a empresa eliminará também 35% de seus cargos executivos.
Por enquanto, o comando da empresa ficará com Fritz Henderson. Ele promete enxugar quadros para que ela seja mais ágil em suas decisões e tenha capital para saldar US$ 11 bilhões em dívidas que ainda continuam sob sua responsabilidade. Henderson afirma que o alvo é tornar a GM uma empresa aberta novamente. "Queremos [lançar ações na bolsa] tão cedo quanto possível, provavelmente até o início do ano que vem, quando vamos começar a reembolsar o governo", disse.
Derrocada
Desde 2004, último ano em que registrou lucro, a GM acumulou perdas totais de US$ 88 bilhões. A empresa vem registrando quedas consecutivas nas vendas desde outubro de 2007. Reverter esse quadro será um desafio enorme no atual ambiente recessivo nos EUA. As vendas de veículos novos registram queda de 37% neste ano, para um total de 9,9 milhões de automóveis. O número é considerado ainda abaixo do teto que as montadoras precisam superar para obter lucro.



