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Veículos

Mais rápida e econômica, moto substitui o cavalo na fazenda

Agricultores e pecuaristas investem em motorização para cuidar da colheita e vistoriar o gado

O técnico agrícola Daniel Potrick percorre até 100 quilômetros de fazendas por dia: rápido e prático | Henri Miléo/Gazeta do Povo
O técnico agrícola Daniel Potrick percorre até 100 quilômetros de fazendas por dia: rápido e prático (Foto: Henri Miléo/Gazeta do Povo)

A imagem do trabalhador rural montado num cavalo, percorrendo a lavoura, corre o risco de virar passado com o avanço da frota de motocicletas. O veículo deixou de ser exclusividade do meio urbano e está sendo usado por funcionários de fazendas para monitorar a plantação e vistoriar o gado. Enquanto em 2000 a frota de motocicletas no Brasil representava 13% do total de veículos, hoje já alcança 23%. Parte dos responsáveis por esse crescimento está no campo.

Daniel André Potrick, técnico agrícola da fazenda Mutuca, em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, atesta a vantagem do veículo de duas rodas. "É mais rápido, dá para usar até em dia de chuva que não encalha", afirma. Por dia, ele percorre cerca de 100 quilômetros para acompanhar os processos de plantio e de colheita, além de transportar pequenas ferramentas, dentro da propriedade de 2,5 mil hectares. As principais culturas são trigo e soja.

Ele usa a moto na lavoura há mais de quatro anos e acredita que há pouco de que se queixar. "Pega poeira e mosquito no rosto, mas eu prefiro a moto", acrescenta. O caminho é tortuoso. Para suportar a estrada de terra e os carreiros no meio da plantação, ele usa moto de trilha. As quedas são raras. "Caí só uma vez, quando um cachorro saiu do mato e eu não consegui desviar", lembra.

Além de Potrick, a fazenda tem outros dois funcionários que utilizam motos. O proprietário da fazenda, Ely Azambuja Germano Neto, diz que trocou a caminhonete por motocicletas há 15 anos e não se arrepende. "A área cresceu e os custos com a caminhonete estavam muito altos, por isso mudamos", acrescenta. Cada moto custa em torno de R$ 500 por ano com manutenção.

O pecuarista Roberto Barros, de Umuarama, no Noroeste do Paraná, vê na moto uma aliada para percorrer a fazenda, monitorar o gado e atender a porteira. Em dias de pico, a motocicleta roda 150 quilômetros. Se fosse usar o cavalo, como antigamente, ele gastaria muito mais tempo para perfazer o mesmo percurso.

Barros fez as contas pelo GPS: enquanto o cavalo percorre em média 6 quilômetros por hora, a moto anda a pelo menos 20 por hora. "Outra vantagem é que posso trabalhar até mais tarde porque o farol da moto me orienta", completa.

O diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Moacyr Alberto Paulis, confirma que nos últimos anos houve uma migração do público consumidor das grandes cidades para o interior. O trabalho ans fazendas, segundo ele, responde por boa parte das vendas.

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