
A alta repentina no preço dos combustíveis provocou mais um protesto na manhã deste sábado (10). Desta vez, a ideia do movimento era "fechar" alguns postos que cobram altos preços pela gasolina e pelo etanol. Em carreata, os manifestantes foram aos estabelecimentos e trancaram as entradas dos postos, impedindo que outros veículos pudessem entrar ou sair do local.
Alguns motoristas abasteceram seus carros com valores simbólicos de 50 centavos e pagaram com moedas de 1 centavo ou com cartão de crédito.
A mobilização causou congestionamento nas ruas de acesso aos postos e buzinaço por quem passava pelas vias. Os locais escolhidos para o protesto são de propriedade de dirigentes do Sindicombustíveis-PR, o sindicato que representa os postos.
Os manifestantes se concentraram por volta das 9h na Ópera de Arame, no bairro Abranches, e partiram para postos da região para protestar. A carreata seguiu para postos dos bairros São Lourenço e Centro Cívico.
"É muito estranho que todos os postos tenham aumentado o preço dos seus produtos de uma só vez. Isto configura cartel e é crime", afirma um dos líderes da mobilização, Valdir Cruz. Em uma semana, os postos aumentaram o preço médio cobrado pela gasolina em 30 centavos, de acordo com a pesquisa semanal de preços da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O etanol apresentou alta média de 20 centavos.
"Não há concorrência e nós não temos opção na hora de abastecer", afirma o professor Lawrence Mayer, que abasteceu R$ 0,82 somente com moedas de 1 centavo.
Multa
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigue o aumento nos valores cobrados pelos combustíveis. Se o conselho identificar que houve oportunismo ou cartel no aumento dos preços, os estabelecimentos serão multados em 0,1% a 20% do faturamento bruto anual da empresa.
Para definir se houve abuso, o Cade vai comparar a evolução das margens de lucro dos postos. De acordo com a ANP, em duas semanas, a margem de lucro embutida no litro da gasolina passou de R$ 0,21 para R$ 0,51 por litro vendido.




