
Brasília O ministro da Fazenda Guido Mantega admitiu, ontem, que o dólar está "derretendo" em relação ao real e não descartou medidas para tentar conter esse movimento de valorização, embora garanta que não há um pacote cambial em elaboração.
"As políticas cambial e monetária têm de ser acompanhadas a todo momento. O governo pode resolver que agora não tem o que fazer e amanhã resolver que tem de fazer alguma coisa. É um monitoramento permanente, mas eu não tenho nada preparado que vá ser feito no momento", afirmou.
Na análise do ministro, apesar do dólar desvalorizado, as exportações continuam acima das projeções do mercado, e a indústria nacional tem conseguido aumentar as vendas ao mercado interno e compensar parte do efeito negativo do real forte. De acordo com Mantega, "não há nada de grave".
Ele disse que a Fazenda faz rotineiramente projeções e análises sobre o câmbio e o impacto sobre a produção e a inflação. A maior preocupação é com o cenário em que o Brasil se torne "investment grade", selo dado por agências de avaliação de risco a países considerados seguros para investir.
O resultado esperado nesse caso é um aumento no interesse de aplicadores, principalmente estrangeiros, em trazer dinheiro ao país. Essa entrada de dólares contribuiria para valorizar ainda mais o real.
Segundo o ministro, uma mudança no cenário internacional, como a quebra de um grande banco nos Estados Unidos, por exemplo, poderia exigir do governo medidas na área cambial caso o dólar "derretesse completamente". Para ele, atualmente o dólar está "derretendo um pouco, digamos".
Mantega citou como exemplo a crise no mercado imobiliário dos Estados Unidos. No momento mais agudo, no fim de julho e início de agosto, o governo brasileiro se preparou para oferecer empréstimos caso os bancos nacionais ficassem sem recursos para fechar o caixa diário e também para recomprar títulos públicos, mas não foi necessário agir.
O governo já tentou adotar medidas setoriais para conter os efeitos do câmbio forte. Em junho, a Fazenda autorizou linhas subsidiadas de financiamento para setores como móveis, têxteis e calçados, os mais afetados pelo câmbio.
A medida provisória que autorizou as operações, no entanto, teve que ser retirada da pauta da Câmara porque impediam a votação da emenda constitucional que prorroga a CPMF. Só em outubro as linhas de crédito foram regulamentadas.



