
Vai que é tua, Galvão Bueno!!! Reclamar do estilo do narrador esportivo é esporte nacional não é de hoje. Mas a campanha "Cala Boca, Galvão", no Twitter, fez uma mania local ganhar destaque internacional até o The New York Times publicou reportagem contando como dois publicitários brasileiros, trabalhando em uma agência americana, enganaram um colega ingênuo que lhes perguntou o que aquelas palavras significavam.No site de microblogs, os tweets com a frase tomaram conta dos trending topics (as palavras-chave mais citadas) por toda a semana passada. A expressão chamou atenção de estrangeiros, que passaram a perguntar o que ela significava. A brincadeira, então, começou quando alguém disse que "cala boca" significa "salve" em português, e que Galvão é um pássaro ameaçado de extinção. Numa outra versão, inventou-se que seria o nome de uma nova música da cantora Lady Gaga.
Cartazes e vídeos foram criados para uma suposta campanha em defesa dos animais, e criou-se a ideia de que cada mensagem retuitando a frase seria convertida em uma doação de dez centavos para uma fundação.
A invenção acabou por ganhar espaço na própria tevê Globo. Primeiro, quando uma faixa com a frase foi estendida por torcedores no estádio onde jogaram Brasil e Coreia do Norte. Depois, dentro da grade da própria emissora. O locutor que é definido pelo jornal americano como "uma bombástica máquina de clichês" parece não se ter se incomodado muito com a gozação. No programa "Central da Copa", ele comentou o caso com bom humor. "Entrei nessa campanha! Estou com o papagaio Galvão e não abro!", disse. "A gente entra na casa das pessoas e elas têm todo o direito de brincar com a gente", completou.
Houve quem visse na campanha uma mobilização importante. "O Cala boca Galvão mostra que, se o brasileiro se unisse para fazer alguma coisa útil, o país estaria em condições absurdamente melhores", escreveu o tuiteiro paulista Felipe Pacagnela.




