
Empresas de tamanho médio também podem ter lugar no mercado de capital aberto. Quem afirma é a própria BM&F Bovespa, que em 2005 criou o Bovespa Mais, segmento destinado à listagem de empresas de menor porte. A bolsa espera que pelo menos 60 dessas companhias lancem ações até 2015.
Ontem, a diretora de Desenvolvimento de Empresas da bolsa, Cristiana Pereira, esteve em Curitiba para divulgar o programa e mostrar a empresas regionais como elas podem captar recursos por meio da abertura de capital, assim como os procedimentos necessários para isso.
De acordo com ela, empresas que faturam a partir de R$ 50 milhões por ano já poderiam realizar o seu IPO (oferta pública inicial, da sigla em inglês), bastando para isso cumprir requisitos como auditoria externa, controle financeiro e governança corporativa.
As exigências do Bovespa Mais apresentam grau maior de flexibilidade em relação ao Novo Mercado listagem especial da bolsa, que inclui apenas companhias com alto nível de governança corporativa. Entre as principais diferenças dos dois setores está a obrigatoriedade de disponibilizar o mínimo de 25% das ações ao público no Novo Mercado a obrigação é imediata, enquanto no Bovespa Mais o índice pode ser alcançado em até sete anos. "Vale deixar claro, porém, que não trabalhamos com regras específicas, como tamanho e faturamento. A particularidade é em torno de quanto a empresa pretende captar, de acordo com seus objetivos", pontua Cristiana.
Numa primeira estimativa da própria BM&F Bovespa, no Brasil há 15 mil empresas com faturamento superior a R$ 100 milhões e que poderiam iniciar um planejamento para a abertura de capital. No entanto, levando em conta as exigências necessárias para atuar na bolsa, apenas 200 devem conseguir fazer o IPO dentro dos próximos três ou quatro anos.
Descentralização
Além de atrair empresas menores para a bolsa, a BM&F Bovespa também pretende contar com um número maior de companhias de fora do eixo Rio-São Paulo. Atualmente, das 460 empresas de capital aberto listadas como ativas, apenas 150 delas estão em outros estados 16 no Paraná.
Mesmo com um faturamento menor que o apontado como necessário para entrar no mercado aberto, a Seyconel, empresa de automação industrial localizada na região metropolitana de Curitiba, pensa em abrir capital. A empresa tem receita de R$ 15 milhões e vem crescendo 40% ao ano. "A Seyconel, em seus doze anos, investiu apenas com capital próprio e hoje está num momento em que precisa ampliar seus horizontes. Por isso já queremos nos preparar para uma primeira captação de recursos e, em seguida, o IPO, num processo total que deve durar de três a cinco anos", aponta Édson Achy, um dos sócios da empresa. Com clientes como ArcelorMittal, Volkswagen e Weg, a companhia entende que a abertura de capital pode proporcionar um aumento no seu volume de vendas e um atendimento melhor às empresas parceiras.



