Depois de quinze dias de paralisação, médicos de 41 planos de saúde que atuam no Paraná voltaram a atender normalmente os conveniados nesta terça-feira (27). A interrupção nos atendimentos começou no último dia 12 de novembro e contou com a adesão de aproximadamente um terço de toda a classe médica paranaense vinculada a planos de saúde, o que equivale a cerca de 3,5 mil profissionais.
De acordo com o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), João Carlos Baracho, a iniciativa não rendeu, no entanto, negociações produtivas para as reivindicações da categoria. "Não temos um produto final, porque nenhum dos planos apresentou reajuste adequado. A maioria deles realmente não está aberta a negociações", disse Baracho.
Segundo o presidente, além dos planos de saúde da Copel, Sanepar e Itaipu Binacional, que já praticavam valores adequados antes mesmo da paralisação, a expectativa é de que nos próximos dias a Amil ceda às negociações. "Ainda estamos em processo, mas já é uma esperança". Conforme a assessoria de imprensa da AMP, estão descartadas demais paralisações pelo mesmo motivo em 2012.
Paralisação
Entre as reivindicações do protesto estava um aumento nos valores repassados pelas operadoras que atualmente é, em média, de R$ 42 por consulta. A proposta da AMP é de R$ 100, embora os planos de saúde da Copel, Sanepar e Itaipu Binacional tivessem fechado acordo de repasse no valor de R$ 80 por consulta e reajuste anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
As mudanças nos contratos feitos entre médicos e operadoras também eram parte da pauta de reivindicação. Atualmente, segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), não há prazo nos contratos, o que impede a negociação dos médicos na renovação dos mesmos. Outro alvo de reclamações é a falta de um índice de reajuste no valor das consultas, o que deixaria os valores defasados pela inflação em alguns casos.
Além da ajuda do Ministério Público Federal (MPF), que moveu uma ação civil pública exigindo que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleça padrões mínimos de remuneração dos médicos, a Assembleia Legislativa do Paraná também instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará as operadoras de planos de saúde que atuam no Paraná. A CPI dos Planos de Saúde foi proposta depois que a Comissão de Defesa do Consumidor tentou intermediar, sem sucesso, um entendimento entre os médicos e as empresas dos planos de saúde para evitar a interrupção do atendimento no estado.



