
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou ontem à noite que decidiu elevar a taxa básica de juros, conhecida como Selic, em 0,75 ponto porcentual, para 13,75% ao ano. A notícia, apesar de ter sido prevista pela grande maioria dos analistas de mercado, serviu para esfriar os ânimos, que se mantiveram exaltados durante o dia de ontem por conta do crescimento robusto do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre.
A decisão foi tomada em um placar de cinco votos a favor da alta de 0,75 ponto e três votos a favor de aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa. "Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic a 13,75% ao ano sem viés, com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas", diz o texto do comunicado.
Na análise de Ana Maria Castelo, economista da FGV Projetos, o resultado do PIB, que cresceu 6,1% no segundo trimestre do ano ante o mesmo período de 2007, serviu para reforçar a decisão do Banco Central em manter seu ciclo de alta dos juros. "Há muitos setores expandindo a capacidade de produção, mas há uma questão de timing aí, de um certo descompasso entre esse aumento da oferta de produtos e do consumo", afirma.
O aumento do consumo das famílias registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no cálculo do PIB manteve-se praticamente no mesmo patamar alto que vinha apresentando desde o ano passado. Ele subiu 6,7% apoiado em um aumento de 8,1% da massa salarial e de 32,9% das operações de crédito. Com o consumo em alta, aumentam os temores da equipe econômica de que a oferta e a produção industrial podem não dar conta da demanda do mercado interno, e de que inflação volte a se acelerar. Por isso, aumentam-se os juros básicos da economia e, com isso, tenta-se diminuir o apetite por compras dos brasileiros.
Falta de consenso
A última vez em que não houve consenso de votação no Copom foi em 18 de julho de 2007, quando o juro caiu de 12% para 11,5% com apoio de quatro votos. Esta foi a quarta elevação da Selic no ano.
Na avaliação de especialistas do mercado financeiro, o Copom acertou ao manter o atual ciclo. Embora os índices de preços tenham recuado desde a última reunião, as expectativas para a inflação em 2009 não cederam e permaneceram "teimosamente" em 5%. Uma das explicações para o movimento da inflação no curto prazo está na queda das cotações das commodities agrícolas, mais especificamente do milho e da soja no mercado internacional, afirma o economista da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, Walter Machado de Barros, com a elevação de 0,75 ponto porcentual, o BC indica ao mercado que ainda é cedo para concluir que a tendência de queda da inflação é mesmo efetiva. "Na dúvida, ele decidiu ser conservador." Do lado da atividade econômica, a expectativa é que o efeito da política monetária do BC apenas comece a aparecer no último trimestre.




