Luanda e Brasília O presidente Luiz Inácio Lula disse que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de fazer uma pausa no processo de redução da taxa básica de juros "não modifica em nada" a política do governo na área econômica. "Há muito tempo o governo vem trabalhando para que o Banco Central tenha a autonomia necessária, e as coisas deram certo até agora.
O fato de o Banco Central achar que não é o momento de reduzir (a alíquota da Selic) em 0,25 (ponto porcentual) não modifica em nada", afirmou. Ontem, por unanimidade, os membros do Copom decidiram manter a Selic em 11,25% ao ano, sem viés.
A uma pergunta se tinha ficado decepcionado com a decisão do Copom, Lula respondeu: "Não é que eu não gostei muito. Eu disse em uma entrevista que, se o Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do BC) cortar ou não cortar, ele dá a explicação para a sociedade brasileira", explicou, referindo-se à divulgação periódica da Ata do Copom, com as justificativas para suas decisões.
O presidente acrescentou que a taxa pode ser reduzida ou em um mês ou em outro. "O que não vamos abdicar, em nenhum momento, é de uma política séria de controle da inflação. Eu sei que, quando a inflação volta, quem paga o pato é a parte que mais precisa", afirmou.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que a decisão do Copom foi apenas uma "parada técnica", movida pela preocupação com a demanda interna e também com os problemas no mercado financeiro internacional. "Mas temos condições para continuar com queda nos juros", afirmou, sem, no entanto, prever a partir de quando seriam retomados os cortes na Selic.
Impacto
A pausa no ciclo de cortes da Selic não deve afetar o ritmo da atividade deste fim de ano e do início de 2008, avaliam economistas. "A decisão do Copom foi um freio de arrumação", compara o sócio da RC Consultores, Fábio Silveira. Ele observa que, diante da alta dos preços agrícolas, da elevação da cotação do petróleo e do aquecimento da demanda interna, o BC decidiu ter uma postura cautelosa e parar de cortar os juros para avaliar melhor os desdobramentos.
Avaliação semelhante é feita pelo economista chefe da Concórdia Corretora de Valores, Elson Teles. "A pausa no ciclo de corte da Selic não afeta o Natal nem a atividade em 2008", afirma. O BC decidiu interromper as reduções na taxa de juros porque está cauteloso, observa. "Os indicadores do ritmo de atividade são preocupantes e podem propiciar aumentos de preços."



