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Menos de 5% das famílias têm doméstica com carteira

Estimativa foi revelada em levantamento da Paraná Pesquisas que ouviu 2,5 mil pessoas no país

Busca por mais tempo livre, também para ficar com a neta, Antonella, levou Maria Fernanda deixar emprego e virar diarista | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Busca por mais tempo livre, também para ficar com a neta, Antonella, levou Maria Fernanda deixar emprego e virar diarista (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Apenas 4,5% das famílias têm empregado doméstico contratado com carteira assinada no país. O Sul é a região proporcionalmente com maior número, com 5,8%, e o Sudeste com o menor, com 3,8%. Os dados são de um levantamento da Paraná Pesquisas que ouviu 2,5 mil pessoas em todo país (veja mais detalhes no gráfico).

INFOGRÁFICO: Sul tem maior índice de empregadas com carteira assinada no país

Para o diretor do instituto, Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, esse número, não pode ser desprezado. "É um número alto se considerarmos que provavelmente não temos 5% da população formada em Medicina ou trabalhando como eletricista. Trata-se de uma massa de trabalhadores grande", diz.

A proporção de diaristas, porém, é mais que o dobro que a de domésticas: 11% das famílias disseram que contratam pessoas por dia para fazer a limpeza da casa. No Sul, esse número é de 13,2%.

Custos

Os gastos com as diaristas variam bastante de região para região, segundo a pesquisa. Nordeste, Norte e Centro-Oeste concentram os menores ganhos, de até R$ 50 por dia trabalhado, entre remuneração, vale transporte e outros benefícios.

Já no Sul e no Sudeste, as diárias, na média, são maiores, com participação representativa de quantias entre R$ 61 e R$ 80 por dia trabalhado. "A pesquisa revela as diferenças de renda e da oferta de mão de obra entre as regiões. No Nordeste, a oferta de mão de obra de diaristas é maior e, com isso, o salário pago é menor", diz Oliveira.

Manutenção

O levantamento revela ainda que, das 4,5% das famílias que contratam empregadas domésticas com carteira assinada, a maioria (86%) pretende manter essa condição mesmo com as regras previstas na nova lei, que devem encarecer os gastos com empregados. Outros 7,7% dizem que vão demitir.

Cada vez mais empregadas preferem cobrar por dia

Camille Cardoso, especial para a Gazeta do Povo

Cobrar por dia em vez de cumprir jornada na casa de um empregador é uma escolha cada vez mais comum entre os domésticos brasileiros. De janeiro de 2003 a maio de 2013, o contingente de mensalistas caiu de 87,4% para 76,3% em seis regiões metropolitanas brasileiras, conforme o IBGE. A pesquisa não abrange o Paraná, mas, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a situação também se verifica na Grande Curitiba.

Pelos dados do instituto regional, de janeiro a maio de 2013, a proporção de diaristas entre os empregados domésticos aumentou no estado, passou de 24,91% para 34,05%, dentro de um universo geral que também cresceu (de 82 mil para 88 mil trabalhadores na função). Os números do Ipardes se baseiam na dedução de que domésticos que dizem trabalhar em mais de um domicílio são diaristas.

Vantagens

Melhor remuneração no fim do mês e horários mais flexíveis são os principais motivos para essa mudança de preferências entre os domésticos. Em Curitiba, as diaristas cobram, em média, R$ 100 mais despesas com transporte, com a possibilidade de trabalhar em mais de um imóvel no dia. Já o piso regional para o doméstico é de R$ 914,82, com a exigência de cumprir jornada semanal de 44 horas.

A procura por flexibilidade no emprego foi o que levou Maria Fernanda Rodrigues Jacovicz, 59 anos, a deixar o serviço na casa de uma família de Curitiba que a empregou por 18 anos. "Queria ter mais tempo para cuidar da minha neta, Antonella, que tem hoje dois aninhos. Agora, trabalho só de vez em quando, para quem eu conheço", diz ela.

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