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Comércio

Mercado de “segunda mão” perde cliente para lojas populares

Quem olha de fora – e vê poucos clientes e uma quantidade de produtos que mal cabe na loja, empilhados uns sobre os outros – provavelmente faz um diagnóstico pessimista do mercado de móveis usados. Ao longo da Rua Riachuelo no centro de Curitiba, e nas suas redondezas, dezenas de lojas desse segmento disputam um consumidor que, aparentemente, não passa por ali. Do outro lado do balcão, os comerciantes confirmam o desaquecimento do setor nos últimos anos. Mas são otimistas com relação ao negócio e apostam que há clientes sim, inclusive dispostos a pagar preços semelhantes aos dos produtos novos para ter mais qualidade.

Um dos "freios" desse comércio, segundo os lojistas, é a facilidade de pagamento nas lojas populares – que em alguns casos chegam a financiar as compras em até 36 vezes. "A concorrência aumentou muito entre as próprias lojas de usados e as facilidades para comprar produtos novos são muito grandes", diz o proprietário da Âncora Móveis Usados, Ivonir da Silva Castro. "O comércio está bem parado como um todo pela própria situação dos consumidores, que estão sem condições de gastar", avalia o também empresário do setor, Jermiel Leite. "Compramos à vista, e por isso podemos parcelar em, no máximo, 3 vezes, o que faz muita gente preferir as lojas populares."

Porém, ao contrário do que pode parecer, quem procura essas lojas não são apenas os consumidores de baixo poder aquisitivo. "O público é bem variado, geralmente dividido entre estudantes que moram sozinhos na capital, donas de casa e até executivos que estão montando seu primeiro escritório", diz o funcionário da loja Sassá, Júnior Kulesza.

Vasculhando uma dessas lojas, a dona de casa Inês Teixeira conta que precisa substituir a máquina de lavar roupas. "Fiz pesquisa de preços também das novas. Nas lojas ela custa R$ 900, e aqui vou pagar R$ 390." Inês diz que já comprou um estofado e um forno de microondas de segunda-mão.

Em geral, as lojas pagam de 30% a 50% do valor de um móvel ou eletrodoméstico novo, conforme o estado de conservação. O preço de venda fica, em média, a metade do praticado nas lojas tradicionais. "Em alguns casos, os preços se assemelham aos dos móveis novos. Mas é preciso levar em conta a qualidade dos produtos", diz Castro.

É justamente essa qualidade que leva a funcionária pública Nilsa Farias às lojas de usados quando quer comprar algo para casa. "Se for pensar só em preço, não vale a pena", diz Nilsa, enquanto procura um espelho. "Pesquisei e poderia comprar um novo por R$ 100, mas com moldura simples. Aqui vou pagar R$ 120."

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