Publicidade
Govern

“Ministério da Fazenda é o menos culpado por alta taxa de juros”, diz Durigan

Durigan afirmou que avanço faz parte de "jogada política" para ampliar enfrentamento dos Brics ao dólar.
Ministro da Fazenda Dario Durigan negou que a política fiscal do governo Lula seja a principal responsável pela Selic alta. (Foto: Washington Costa/MF)

Ouça este conteúdo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Ministério da Fazenda é o "menos culpado" pela manutenção da taxa de juros em patamar elevado no Brasil e negou que a política fiscal do governo seja a principal responsável pela Selic alta. Em entrevista ao G1, ele defendeu que o debate sobre os juros não pode ser reduzido apenas à situação das contas públicas e prometeu que o governo fará um ajuste fiscal nos próximos anos para cumprir as metas estabelecidas.

"Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros. (...) Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar. O debate fiscal importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil", declarou.

Segundo Durigan, o governo pretende combinar medidas de contenção de despesas com redução de benefícios fiscais para estabilizar a trajetória da dívida pública e cumprir as metas previstas para os próximos anos. O ministro afirmou ainda que o governo pretende alcançar superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, elevando esse resultado para 1% em 2028, 1,25% em 2029 e 1,5% em 2030.

"Eu acho que o Brasil tem que seguir fazendo um esforço fiscal grande, não é pequeno, para limitar o crescimento da dívida no que compete ao Ministério da Fazenda. Tudo o que o Ministério da Fazenda puder fazer para melhorar a fiscal e harmonizar a política monetária, nós faremos. A preocupação da inflação é minha também", afirmou.

Durigan também minimizou os efeitos das linhas de crédito subsidiadas lançadas pelo governo em pleno ano eleitoral, como programas para aquisição de veículos, caminhões, ônibus, reformas de imóveis e o Desenrola 2.0.

"O mercado de crédito brasileiro é de R$ 600 bilhões por mês. Você está falando de R$ 2 bilhões, R$ 3 bilhões para moto, R$ 30 bilhões para carros. Isso não tem impacto do ponto de vista de atrapalhar a política monetária (...) Não me parece que as políticas que a gente tem feito têm impacto macroeconômico. São ajudas setoriais pontuais e específicas", disse.

Durigan defende mais taxas

Além do ajuste fiscal, Durigan defendeu mudanças na estrutura tributária brasileira, com aumento da tributação sobre a renda dos mais ricos e revisão de benefícios fiscais. Segundo ele, o Brasil deveria voltar a tributar lucros e dividendos, aproximando-se do modelo adotado pela maioria dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"De fato, é um desafio do Brasil. A gente tem que tributar menos o consumo e mais a renda e o patrimônio. Essa diretriz deve seguir para frente. A gente nunca teve, pelo menos nos últimos 30 anos, tributação de dividendos. Para o futuro, a gente deveria aprimorar essas discussões tributárias e tentar tributar melhor, em especial os mais ricos, quem tem capacidade econômica, sem exagero. É um caminho que a gente deve seguir", afirmou.

O ministro também defendeu a redução dos chamados gastos tributários – benefícios fiscais concedidos a setores específicos da economia – estimados em mais de R$ 600 bilhões por ano. "Desde que justificados, tem espaço para corrigir distorção tributária. Não estou falando aumentar tributo. O gasto tributário no país segue alto e tem espaço para rever. Esse ano nós estamos cortando 10%. Acho que segue tendo espaço para cortar gasto tributário ano que vem. E é justo isso", declarou.

Ministro nega, mas contas públicas no vermelho mantêm juros altos

Embora Durigan afirme que o debate fiscal não seja a principal explicação para os juros elevados, economistas e o próprio Banco Central apontam justamente a deterioração das contas públicas como um dos principais fatores que impedem uma redução mais rápida da Selic.

O Brasil registra déficits fiscais praticamente ininterruptos desde novembro de 2014. A única interrupção ocorreu entre o fim de 2021 e o início de 2023, quando receitas extraordinárias elevaram temporariamente a arrecadação. Durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as contas públicas permaneceram deficitárias em 29 dos 36 meses encerrados em dezembro de 2025.

No mesmo período, a dívida bruta do governo avançou de forma significativa, aproximando-se de 80% do PIB e com projeções de continuar crescendo nos próximos anos, segundo estimativas do mercado compiladas pelo boletim Focus do Banco Central.

Especialistas avaliam que esse cenário aumenta a percepção de risco dos investidores, dificulta o controle da inflação e obriga o Banco Central a manter juros elevados por mais tempo. O próprio Banco Central tem afirmado reiteradamente que a política fiscal influencia diretamente a condução da política monetária. Em suas comunicações recentes, a autoridade monetária destacou que estímulos fiscais e creditícios elevaram a atividade econômica, exigindo maior cautela na redução dos juros.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.