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Habitação

Moradia popular ganha ares de classe média

Grandes espaços e um número elevado de unidades permitem colocar em imóveis econômicos uma estrutura antes disponível apenas em lançamentos de alto padrão

Além do impulso dado pelos fatores crédito e renda, o segmento econômico da construção civil é empurrado pelo aperfeiçoamento dos produtos vendidos e pela redução nos custos obtida pelas empresas. As construtoras têm reservado áreas grandes, onde podem erguer conjuntos amplos, com até 400 unidades, para ter escala em seus empreendimentos. O espaço é aproveitado para oferecer áreas de lazer e paisagismo típicos de condomínios de classe média e que são uma peça e tanto de marketing.

"As áreas precisam ter infraestrutura e ser perto da cidade. E atrativos como paisagismo e lazer já fazem parte do conceito de condomínio para o consumidor", afirma Marlus Doria, diretor de incorporação da Doria Goldsztein Cyrela, que pretende lançar 240 unidades no segmento econômico em Curitiba neste ano. "Com o programa federal, estamos procurando novas áreas para acelerar os lançamentos no ano que vem", conta.

Um exemplo de como funciona o modelo econômico é o Residencial Village Trieste, da construtora Andrade Ribeiro. Em uma área de 20 mil metros quadrados no bairro Santa Cândida, em Curitiba, serão erguidos 240 apartamentos. O condomínio será fechado, terá sistema de segurança, playground e espaço para prática de esportes. As vagas de garagem, apesar de não serem fechadas, são cobertas. O preço varia de R$ 75 mil, para unidades com dois dormitórios, até R$ 95 mil para as de três dormitórios – dentro do que permite o Minha Casa, Minha Vida.

"A empresa era focada em alto padrão, mas decidimos diversificar há dois anos", lembra Erlon Rotta Ribeiro, diretor comercial da construtora. "Existe uma classe C emergente, formada por gente que tem salário na faixa de R$ 1,3 mil e que tem plenas condições de assumir uma prestação na faixa de R$ 300", completa. Hoje, 60% da produção da companhia está no segmento econômico.

Mas para se dar bem nesse nicho, a construtora teve de se adaptar. Ela investiu para adotar a tecnologia certa de construção. Ao invés de vigas de concreto armado e blocos de argila, os edifícios são erguidos com blocos estruturais de concreto. "Também usamos mais máquinas do que em obras convencionais", explica Ribeiro. Com isso, o número de horas de trabalho cai à metade e o tempo de construção cai de dois para um ano. Ribeiro conta que esse ganho de produtividade chegou até a causar uma confusão com o INSS. O órgão público desconfiou do valor recolhido pela empresa, imaginando que houve uma subdeclaração no número de funcionários. "Não foi nada disso. Nós temos tecnologia para reduzir o custo com mão de obra."

A margem baixa é, aliás, o grande desafio para quem entra no segmento. "O custo de construção no econômico varia de 65% a 70% do VGV [valor geral de venda] do imóvel. No alto padrão é de 50%", compara Seme Raad Filho, diretor da Incorporadora Monarca, que entrou nesse filão através de uma parceria com a Fit, marca da paulista Gafisa. Ele diz que a empresa vai ficar no segmento – no momento, está participando do lançamento do Fit em Londrina e tem projetos em fase de aprovação em Curitiba – mas sem descuidar do alto padrão. "Lançamos um empreendimento de alto padrão neste ano com um ritmo muito bom de vendas."

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