O alerta vem de economistas e especialistas em comércio exterior: os empresários que apostarem em uma eventual alta do dólar para melhorar suas exportações vão quebrar a cara. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) afirmou, em sua Carta Conjuntural, que o câmbio valorizado veio para ficar e esse cenário dificilmente vai se reverter, mesmo em caso de queda da taxa básica de juros (Selic).
Algumas corretoras e consultorias até apostam em um aumento do dólar, mas nada que se aproxime do mínimo de R$ 2,50 sonhado pelo setor produtivo. "Nossa expectativa é que o câmbio termine 2007 próximo de R$ 2,30, por conta da menor liquidez [dinheiro disponível para investimento] internacional e da redução do saldo comercial, que deve cair de US$ 46 bilhões em 2006 para US$ 38 bilhões em 2007", diz a economista da Rosenberg & Associados, Thaís Zara. Na última sexta-feira, o dólar comercial fechou cotado a R$ 2,17.
Diante desse quadro, o que preocupa é que a grande maioria dos empresários ainda vêem na sonhada desvalorização do real seja ela provocada pela queda dos juros ou por medidas como o controle da entrada de dólares no país a única possibilidade de aumentar as vendas externas do país. Mas já há quem aponte alternativas para amenizar os efeitos da valorização cambial.
Para o presidente da Associação Brasileira do Comércio Exterior (Abracex), Primo Roberto Segatto, o governo deveria reduzir drasticamente a taxa de importação de máquinas e equipamentos. O dólar baixo já ajuda as empresas brasileiras a importar esse tipo de produto, mas um certo protecionismo ainda atrapalha quem tenta comprar máquinas no exterior para melhorar sua produtividade. No Paraná, por exemplo, a importação de máquinas e equipamentos avançou apenas 4% entre janeiro e outubro. "Investindo em equipamentos, a indústria pode se reaparelhar e aumentar sua competitividade. Assim, fica menos suscetível às oscilações do câmbio."
Outra medida de responsabilidade do governo, segundo o presidente da Abracex, seria a reforma trabalhista. Para ele, a legislação é rigorosa demais e aumenta os custos com mão-de-obra despesas que naturalmente precisam ser repassadas ao preço do produto exportado e tiram a competitividade de grandes empregadores. Uma reforma tributária também é mais que esperada pelos industriais, pois os altos impostos elevam o preço das mercadorias. Outro item que nunca fica de fora das reivindicações é o investimento em infra-estrutura. "Já passou da hora de o governo colocar em ordem as rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Tudo isso é custo."
O presidente do Instituto Centro de Comércio Exterior do Paraná (Cexpar), Zulfiro Bósio, aposta na desburocratização dos processos de exportação. Segundo ele, a burocracia custa em média 15% do valor do produto exportado. "Todo mundo critica as barreiras externas, como o protecionismo, mas os maiores problemas do exportador são as barreiras internas. Os desembaraços aduaneiros, alfandegários e portuários precisam ser bem mais rápidos", diz. Ele lembra que, como o comércio exterior é regido por mais de 3,6 mil leis, instruções normativas e portarias, e em certos casos envolve atribuições de até 19 ministérios, não é de se estranhar a lentidão para liberação dos embarques.






