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Papo de Mercado

Muffato diz que setor vai passar ileso pela crise

Everton Muffato | Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Everton Muffato (Foto: Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo)

Para a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), o setor supermercadista pode passar imune aos efeitos do atual momento econômico. A análise da entidade é de que se a temida recessão vier como conseqüência da crise financeira, muitos setores poderão entrar em colapso, mas ninguém deixará de comprar comida e outros produtos essenciais para o dia-a-dia.

Para tratar dessas perspectivas e do futuro do varejo paranaense, o convidado do Papo de Mercado, evento promovido pelo Caderno de Economia da Gazeta do Povo na próxima terça-feira, é o presidente da Apras e diretor do Grupo Muffato, Everton Muffato.

Para o executivo, a mudança na conjuntura econômica deixou o setor cauteloso, mas os resultados das vendas em setembro e outubro se mantiveram em um patamar alto, o que reforça as previsões de uma continuidade nos bons resultados para o próximo ano.

"A crise é essencialmente uma crise de crédito. O setor supermercadista não sentiu nenhum efeito e pode passar ileso já que lidamos com um crédito rotativo de 30 dias em média, que representa entre 5% e 10% do volume do setor, ao contrário de outros segmentos que dependem de até 90% de crédito", avalia Muffato. Segundo ele, favorece a mudança de formato dos negócios, que saiu do varejo tradicional para se tornar um varejo de serviços multiformato. "Hoje, em um supermercado, você pode pagar as contas, comprar um pacote de viagens, comprar crédito para o telefone celular. O setor incorporou novas áreas, diminuindo ao máximo os custos e garantindo a saúde financeira dos negócios."

O presidente acredita em uma nova onda de concentração no setor, similar à ocorrida no fim da década de 1990, quando redes pequenas foram incorporadas por redes maiores. "É um movimento de acomodação, com novas concentrações e a criação de redes mais fortes", diz. "Não é bom para o Paraná. A partir do momento que o mercado se concentra, todos saem perdendo."

O estado possui duas redes figurando no ranking das 15 maiores redes de supermercados do país – o grupo Condor ocupa a 14ª posição e a rede Muffato é a 10ª colocada.

Trajetória

Everton Muffato tinha apenas 16 anos quando seu pai, líder e fundador da empresa, morreu vítima de um acidente de carro. "Foi um baque, mas a família teve um papel fundamental, já que só nós mesmos poderíamos continuar a trajetória do grupo." O jovem, que trabalhava desde os 9 anos ajudando nos supermercados da família, foi aos poucos assumindo o controle dos negócios com o apoio da mãe e dos irmãos Edérson e José Eduardo. "No início, fornecedores e funcionários temiam que os negócios pudessem congelar ou mesmo falir em nossas mãos", revela. "Mas nascemos falando a língua do varejo e desde pequenos tivemos uma preparação involuntária de nosso pai. Isso contribuiu muito e nos deu o conhecimento e a capacidade de expendir e levar os negócios à frente".

Nas mãos dos jovens herdeiros, a rede Muffato, então uma empresa regional com três unidades em Londrina, Cascavel e Foz do Iguaçu, tornou-se a maior rede supermercadista do Paraná e a décima maior do Brasil. Hoje, são 29 unidades, com 25 hipermercados no Paraná e interior de São Paulo. Mas vem mais por aí: em novembro a cidade de Toledo recebe uma nova loja e no primeiro semestre de 2009, o bairro do Tarumã, na capital, inaugura mais uma unidade da rede.

"Somos um grupo empresarial com planejamento e objetivos sólidos, ganhando participação e criando cada vez mais musculatura para crescer."

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