
Desde antes de virar estado, o Paraná viu seu desenvolvimento atrelado à evolução do comércio. O café, por exemplo, fez nascer o Norte paranaense, e o tropeirismo ajudou na formação da região dos Campos Gerais a partir do século 17. Para contar um pouco dessa história, a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), está reunindo objetos e documentos para organizar o Museu do Comércio, que deve ser inaugurado em 2009.
Além das peças arrecadadas cerca de mil objetos até agora, entre máquinas de escrever, tinteiros, lampiões e caixas-registradoras , os organizadores estão restaurando materiais e gravando entrevistas com comerciantes que farão parte da mostra. Antes da inauguração do museu, cerca de 40 peças serão expostas na inauguração da restauração do Paço Municipal, prevista para outubro.
De acordo com o presidente da Fecomércio, Darci Piana, o objetivo que o local também sirva para pesquisa. "Queremos contar aos mais jovens quais marcas eram usadas e os hábitos de cada período." Segundo o historiador e geógrafo José Luiz de Carvalho que, junto com o também historiador Aymoré Arantes, é autor do livro "O comércio no Paraná: uma história de conquistas" , o comércio paranaense tem início no século 16, no litoral do estado, com a exploração do ouro. "Esse é o primeiro grande ciclo. Depois disso, por volta de 1693, começa a exploração de madeira na região de Paranaguá, Morretes e Antonina."
O comércio varejista desenvolveu-se mais tarde, com a chegada de imigrantes, principalmente alemães. "Eles ajudaram a fundar o comércio urbano em Curitiba, com lojas que vendiam desde alimentos até ferragens", explica o historiador. Entre os pioneiros está a família Glaser, que fundou em 1887 sua primeira loja, dirigida por Wenceslau Glaser. "Na época, era comum que as casas vendessem de tudo, afinal, não eram muitas", conta o atual diretor da empresa, Mário Fernando Glaser, que cedeu mais de 50 objetos para o museu.
Segundo Carvalho, a partir de 1893 foram feitos os primeiros registros de empresas paranaenses na Junta Comercial, como a Erva-Mate Santana e a fábrica de cerveja Batelônia. Mas os estrangeiros não chegaram a Curitiba em um "vazio" comercial, lembra o coordenador de pesquisa histórica da Fundação Cultural, Marcelo Sutil. "No começo de 1820, já havia registros de trabalhadores como sapateiros, pedreiros e casas comerciais que vendiam alimentos. Os imigrantes vieram para criar colônias e alavancar a agricultura, mas é evidente o papel deles no desenvolvimento do varejo, principalmente a partir de 1870."
Outra loja pioneira que ainda sobrevive é a Casa Hilu, especializada em tecidos. Ela também foi fundada por um imigrante, o sírio Miguel Hilu, em 1928. "Ele começou como mascate, juntou um dinheiro e fundou o espaço", diz a esposa Otília Nicolati Hilu, à frente da loja há 38 anos. Os clientes que sobraram são os fiéis, já que o movimento, de acordo com Otília, diminuiu muito de algumas décadas para cá. "O freguês está mais exigente, prefere coisas prontas. É difícil alguém vir comprar um tecido para fazer roupa."
As casas tradicionais de comércio entraram em decadência no final dos anos 60, com a chegada de redes como Hermes Macedo (HM) e Prosdócimo. "Ocorre então uma segmentação do comércio, que colaborou para o surgimento dos shoppings, na década de 1980", explica o historiador José Luiz de Carvalho.



