
Na contramão de diversos setores que apontam para um quadro de retração no primeiro trimestre, o segmento de franquias deve fechar o período com uma expansão de 52% sobre os três primeiros meses de 2008. Tal desempenho é atribuído justamente aos efeitos da crise econômica internacional.
"A crise levou muitos empresários inclusive executivos, demitidos de multinacionais a olharem a oportunidade de operar um negócio próprio como opção de investimento", explica a consultora de franchise Filomena Garcia. Na última quinta-feira ela ministrou a palestra "Como investir numa franquia" em Curitiba, durante a Expo Money, feira de finanças pessoais que, em dois dias, reuniu 4 mil pessoas no Expo Unimed Curitiba.
Em 2008, o setor de franquias faturou R$ 55 bilhões em todo o país, apresentando um crescimento de 19,5%. Para 2009, a projeção é de uma expansão da ordem de 13% o que, se for confirmado, pode ser considerado um "milagre" diante das projeções de crescimento próximo a zero para o PIB brasileiro neste ano.
Entre os espectadores da palestra sobre franquias estava o empresário Jailson Dagostini, da cidade de Dois Vizinhos, na região Sudoeste do estado. Atuando há quatro anos no setor imobiliário, ele agora está disposto a investir até R$ 200 mil para operar uma franquia do setor na cidade e região, que concentra cerca de 180 mil habitantes. "Cheguei a um ponto em que preciso de um modelo formatado para garantir o crescimento. Por isso venho estudando a possibilidade de adquirir uma franquia para aproveitar a onda de crescimento no mercado imobiliário da região."
Aporte
Com investimento inicial que varia de R$ 20 mil a R$ 1,5 milhão, um investidor pode adquirir uma franquia dentre as quase 1,4 mil redes disponíveis em todo o Brasil. O prazo médio para o retorno do investimento varia entre 24 e 36 meses. "Mas é preciso, antes de tudo, escolher uma franquia adequada ao perfil do empreendedor", diz Filomena. "Também é preciso estar disposto a operar o negócio com uma boa dose de automotivação, já que neste segmento não existe um chefe."
A consultora destaca a segurança deste modelo de negócio, citando um estudo do Sebrae que mostra que 60% dos negócios independentes fecham as portas antes de completar os três anos de atividade no segmento de franquias, este índice fica entre 5% e 8%. "O risco existe, como em qualquer tipo de investimento. Mas, definindo, franquia nada mais é do que a clonagem de algo que deu certo. É reproduzir e expandir um padrão moderno de negócio bem sucedido."
Exemplo
O Paraná é sede de cerca de 100 empresas franqueadoras, abrigando 7% do total de redes do país. O destaque entre as franquias paranaenses é O Boticário a fabricante de cosméticos e perfumes é a maior rede franqueadora do setor no mundo.
Entre os vários segmentos de franquias, o que mais se destacou em 2008 foi o de acessórios pessoais e calçados, com crescimento de 44,8% no faturamento, seguido pelo setor de veículos (31,7%), roupas e vestuário (27,2%), esporte, salão de beleza e lazer (25,8%) e alimentação (20%).



