
Os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) concordaram em fazer uma política fiscal mais ativa para combater a crise global. A posição foi fechada ontem, no encontro preparatório para a próxima reunião do G20. O grupo também decidiu se manter contra aportes adicionais ao Fundo Monetário Internacional (FMI) enquanto não houver uma reforma nas cotas da instituição.
Em relação à política fiscal, a ideia é elevar os investimentos em infraestrutura e pôr em prática programas de reconstituição do crédito, estímulo setorial e ajuda social, como o auxílio a desempregados. "Os países concordaram que o resultado fiscal seja menos favorável em 2009", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Segundo ele, é importante que as nações depois coloquem metas para reconstituir o desempenho nos próximos anos. "É tolerável um resultado menos bom em dois anos, com um re-equilíbrio depois."
Porém, os Brics não conseguiram fechar uma posição sobre o tamanho do estímulo fiscal em cada país. O Reino Unido propõe que os pacotes sejam de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Para Mantega, isso seria colocar "uma camisa de força".
No embate entre os Estados Unidos, que querem mais ação fiscal nos países, e a União Europeia, que tem como foco a regulação, Mantega afirmou que "as duas coisas são necessárias". Porém, o ministro avalia que a diferença é o tempo para que as estratégias tenham efeito.
A ação fiscal tem efeito mais imediato e é mais urgente para restabelecer o crédito internacional, avalia o ministro. "O que foi feito até agora não foi suficiente para reativar as economias, é preciso fazer mais." Já a regulação, também importante, tem efeito no médio prazo.
Mantega defendeu mais normas para os mercados financeiros internacionais e o combate aos paraísos fiscais. O ministro disse que o Brasil "já é um dos países mais regulados do mundo" e ainda pode avançar.
De acordo com o ministro, os países do Bric foram convidados a fazer parte do Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, na sigla em inglês). Criado em abril de 1999 pelo G7, com sede na Basileia, o objetivo da entidade é a troca de informações e a cooperação internacional na supervisão financeira.
Até então, o grupo era composto por autoridades de 12 países, além de instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial, o FMI, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Internacional de Compensações (BIS).
Agora, todos os representantes do G20 que não faziam parte do FSF estão sendo convidados. A diferença é que os Brics terão três cadeiras cada um, enquanto os demais terão uma cadeira, disse Mantega.



