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Bonecas

Barbie de Frida Kahlo gera disputa pelos direitos de uso do nome da artista mexicana

Os direitos sobre a obra de Frida Kahlo estão sendo disputados por uma sobrinha-neta da artista e uma empresa norte-americana que afirma tê-los adquiridos de outra parente

  • Rachel Siegel
  • Washington Post
Barbie Frida Kahlo. | Mattel/Divulgação
Barbie Frida Kahlo. Mattel/Divulgação
 
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Uma nova linha de bonecas Barbie, lançada semana passada para homenagear o Dia Internacional da Mulher, tinha por objetivo reformular imagens populares de exemplos femininos. Mas uma delas, a da pintora mexicana Frida Kahlo, iniciou uma disputa sobre quem tem os direitos sobre sua imagem.

Em entrevistas à imprensa mexicana e à BBC, a sobrinha-neta de Kahlo insiste que ela é a única dona dos direitos sobre a imagem da artista. Isso contradiz a posição da Frida Kahlo Corporation, empresa com sede na Flórida, que diz que comprou os direitos à imagem de Kahlo de outro parente há 13 anos. A empresa trabalhou na nova boneca com a Mattel, fabricante de brinquedos que detém marcas como Barbie e Hot Wheels.

“Estamos falando de uma mulher que estava muito à frente de seu tempo e transcendia as gerações; faremos o que for possível para levar essa mensagem para o mundo”, disse Beatriz Alvarado, porta-voz da Frida Kahlo Corporation. “A colaboração com a Barbie se deu nesse sentido”.

Uma declaração familiar dada à BBC disse que a sobrinha-neta de Kahlo, Mara de Anda Romeo, era a “única proprietária dos direitos da imagem”. A família também pediu um redesenho mais autêntico da boneca.

Em uma virada que se afasta das raízes icônicas e loiras da Barbie, a empresa comercializa bonecas novas sob a hashtag #MoreRoleModels (algo como “#MaisInspirações”, em tradução livre), incluindo as feitas em homenagem à diretora de cinema Ava Duvernay e à bailarina Misty Copeland. Enquanto muitos aprovaram a presença de uma pintora latina que muitas vezes explorou questões de raça e gênero em seu trabalho, outros questionaram o que Kahlo — um comunista e feminista — acharia de ser imortalizada em uma Barbie de plástico.

Alvarado disse que a Frida Kahlo Corporation comprou os direitos de imagem de Kahlo da sobrinha dela, Isolda Pinedo Kahlo, em 2005, e que outros membros da família há muito estão cientes do acordo. Alvarado se recusou a comentar sobre o quanto o negócio custou à empresa, que concede licenças a diversos produtos — desde garrafas de tequila até tênis Converse — para educar o público sobre a história de Kahlo.

Com um vestido ondulado azul, vermelho e preto adornado por um xale e um floral na cabeça, a Barbie Frida Kahlo é vendida por US$ 29,99. Mas os característicos pelos faciais de Kahlo, observaram os críticos rapidamente, estão ausentes no brinquedo.

“A Barbie Frida Kahlo não tem a sobrancelha unida; numa chocante reviravolta, a Barbie quer adicionar feminismo à sua marca ao mesmo tempo em que ainda adere agressivamente aos padrões de beleza ocidentais”, escreveu alguém Twitter.

“Não posso deixar de imaginar que teria sido ainda mais impactante ver a artista retratada de uma maneira que fosse mais verdadeira a quem ela foi — sem falar dos seus próprios autorretratos”, escreveu um editor da Teen Vogue.

Em um comunicado, a Mattel disse que a empresa trabalhou em estreita parceria com a Frida Kahlo Corporation e garantiu sua autorização para criar a boneca.

A Barbie Frida Kahlo foi lançada com outras bonecas de figuras históricas: Katherine Johnson, uma africana pioneira na matemática, cujos cálculos para a NASA ajudaram a conduzir a primeira viagem tripulada dos Estados Unidos ao espaço, e Amelia Earhart, a primeira aviadora mulher a atravessar voando o Oceano Atlântico.

Outras bonecas, feitas a partir de figuras femininas contemporâneas, são únicas e não estão à venda. Entre elas, a snowboarder olímpica Chloe Kim, a conservacionista australiana Bindi Irwin e a cineasta norte-americana Patty Jenkins. Uma campeã de windsurf, uma chef e uma jornalista também se juntaram à lista de novas bonecas.

A boneca “é um lembrete muito importante do que posso ser qualquer coisa que eu quiser ser, que eu posso ser a minha própria musa”, disse Alvarado.

Se a verdadeira Frida Kahlo teria encontrado sua musa na forma de uma Barbie, nunca saberemos. Ela morreu cinco anos antes de a primeira Barbie aparecer nas prateleiras, em 1959.

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