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setor automotivo

Brasil tem apenas 5,9 mil carros elétricos e híbridos

Preço alto e falta de políticas públicas estão entre os motivos apontados para a baixa adoção de carros a energia no país

    • Agência Estado
    • 21/09/2017 14:27
    Toyota Prius, que custa R$ 120 mil, respondeu por quase 80% das vendas de veículos híbridos e elétrico no Brasil em 2016 | Facebook/Reprodução
    Toyota Prius, que custa R$ 120 mil, respondeu por quase 80% das vendas de veículos híbridos e elétrico no Brasil em 2016| Foto: Facebook/Reprodução

    Enquanto a frota de carros elétricos caminha a passos largos do mundo, o Brasil continua muito atrás quando o assunto é veículo que emite meno poluente. Estudo recente da FGV Energia mostra que a frota mundial de veículos para passageiros (exclui ônibus e motocicletas) foi de 2 milhões em 2016. Em 2020, a previsão é que o número chegue a 13 milhões e, em 2030, a 140 milhões, ou 10% da frota total de carros.

    Já no Brasil, desde 2011 até 2016, foram vendidos apenas 5,9 mil carros elétricos e híbridos (que combina motor a combustão e elétrico) no país, número que representa apenas 0,3% da frota mundial. Do total comercializado no país, 2.079 foram vendidos no ano passado. O modelo híbrido Toyota Prius, que custa R$ 120 mil, respondeu por quase 80% das vendas em 2016 no Brasil, com 1.635 unidades.

    LEIA MAIS: Montadoras aguardam incentivos do governo para produzir carros híbridos e elétricos no Brasil

    A pesquisadora da FGV Energia, Tatiana Bruce, responsável pelo estudo que utiliza dados globais da International Energy Agency (IEA), diz que a principal dificuldade para a disseminação de veículos elétricos no Brasil é o alto custo, principalmente da bateria, que corresponde a 50% do valor do carro. Nos últimos anos o preço vem caindo, mas ainda é elevado.

    Por enquanto, diz Tatiana, “os grandes responsáveis pela adoção mais acelerada do carro elétrico em outros países são os subsídios para aquisição”. Na China, mercado que mais cresce atualmente, o governo banca entre um terço e metade dos preços dos carros elétricos. A preocupação de ambientalistas é que a maior parte da energia local vem de térmicas a carvão.

    No Brasil, por enquanto, os incentivos são a isenção do Imposto de Importação (IPI) para elétricos e redução da alíquota de 35% para até 7% para os híbridos. Alguns municípios, como São Paulo, oferecem isenção de IPVA e dispensa do rodízio. 

    LEIA MAIS: Grupo quer mais carros elétricos no Brasil

    Segundo Tatiana, o Brasil tem necessidades diferentes de outros países que precisam cumprir o Acordo de Paris, sobre o aquecimento global, o que foça esses países a adotar políticas mais rígidas contra veículos movidos a combustão. 

    Apesar dos fatores que jogam contra a comercialização de veículos elétricos e híbridos no Brasil, Tatiana diz que temos uma vantagem que a maioria dos outros países não tem: uma indústria de biocombustível bem desenvolvida.

    O setor automotivo aguarda a regulamentação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para começar a utilizar etanol como combustível para gerar a energia da bateria dos veículso elétricos e híbridos. Segundo a agência, a proposta de regulamentação será apreciada no primeiro semestre de 2018.

    Montadoras aguardam incentivos do governo para produzir carros híbridos e elétricos no Brasil

    Várias empresas aguardam a nova política industrial para o setor automotivo, chamada de Rota 2030, para confirmar - ou não - projetos de veículos híbridos e elétricos no Brasil. 

    As montadoras chinesas BYD e Chery já anunciaram que têm intenção de produzir carros elétricos no país. A japonesa Toyota tem em andamento um projeto para o híbrido Prius.

    As montadoras alegam, porém, que investimentos só se justificam para produção de 3 mil a 5 mil unidades ao ano. E a demanda por esses veículos, afirmam as montadoras, só se cria com incentivos governamentais. 

    O presidente da Chery, Luis Curi, disse que o grupo deve concluir em 2018 estudo de viabilidade para a produção local do compacto QQ elétrico. “Dependendo do resultado poderemos iniciar a montagem em 2019, primeiro para frotistas e taxistas”.

    A BYD, fabricante de ônibus elétricos em Campinas (SP), iniciará em outubro a venda do sedã elétrico e5, importado da China. Vai custar cerca de R$ 220 mil. “Se tiver volume que justifique, vamos produzir no Brasil”, disse Adalberto Maluf, diretor da empresa.

    A marca já trouxe ao país 50 minivans modelo e6 para taxistas. Recentemente, entregou um e5 e um e6 para a Guarda Civil de São Paulo. Segundo ele, a BYD mantém 40 postos de recarga no país. Já a BMW, que já vendeu 200 elétricos i3 e híbridos i8 a preços entre R$ 159 mil e R$ 800 mil, tem 41 postos. 

    Grupo quer mais carros elétricos no Brasil

    Um grupo de empresas dos setores de energia, automotivo, tecnologia e de postos de combustível se prepara para uma ofensiva em prol dos carros elétricos e híbridos no Brasil. A visão do grupo é que o país não pode ficar muito atrás na eletrificação automotiva caso queira se integrar às diretrizes da indústria global.

    Uma das ações será o lançamento, até o fim do ano, de uma rede de postos de recarga rápida, que permite que 80% da bateria seja carregada em até meia hora. O grupo também aguarda anúncio da produção do primeiro carro elétrico no país.

    O movimento ocorre num momento em que governos e várias montadoras da Europa, China e Estados Unidos anunciam planos ambiciosos de eletrificação de suas frotas e estabelecem prazos para encerrar a produção de veículos a combustão, principalmente para atender metas de emissão de poluentes.

    O Rota 2030 - nova política industrial para o setor automotivo, com duração de 15 anos, que está para ser anunciada em outubro - deve estabelecer regras mais rígidas para incentivar a venda de elétricos e híbridos no país. Mas isso, talvez, não ocorra na primeira fase do programa e fique para ser implementado no médio e londo prazo. 

    “A discussão é complexa e deve ficar para o médio prazo”, disse Luiz Miguel Batuira, do Ministério da Indústria (Mdic). Há três semanas foi criado um grupo com representantes do governo e empresas para avaliar a inserção brasileira nessa mudança tecnológica que abre caminho para os autônomos. 

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