Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Caro usuário, por favor clique aqui e refaça seu login para aproveitar uma navegação ainda melhor em nosso portal. FECHAR
PUBLICIDADE

Aviação

Cofundador da Microsoft está construindo o maior avião do mundo de olho no espaço

Paul Allen ajudou Bill Gates a fundar a Microsoft e torná-la a maior empresa de software do mundo. Agora, quer conquistar a baixa órbita terrestre com um avião gigantesco

  • Christian Davenport
  • The Washington Post
Stratolaunch é planejado para transportar até três foguetes | Stratolaunch/Divulgação
Stratolaunch é planejado para transportar até três foguetes Stratolaunch/Divulgação
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Um enorme avião, construído pelo cofundador da Microsoft, Paul Allen, chegou um pouco mais perto de voar na semana passada, quando, fora de seu hangar em Mojave, Califórnia, foi testado em uma pista, atingindo uma velocidade máxima de 74 km/h.

Conhecido como Stratolaunch, o avião tem uma envergadura ainda maior do que o famoso Spruce Goose, do magnata Howard Hughes, e é projetado para transportar até três foguetes amarrados à barriga a cerca 35 mil pés. Uma vez no alto, os foguetes são liberados, depois disparam seus motores e lançam os satélites à órbita.

Mas Allen tem ambições ainda maiores para Stratolaunch e está considerando combiná-lo com um novo ônibus espacial, conhecido dentro da empresa como “Black Ice”.

Em entrevistas exclusivas no verão passado, Allen e Jean Floyd, executivo-chefe do Stratolaunch System, apresentaram os planos da empresa para o avião gigante, dando uma resposta para por que alguém construiria uma aeronave com 28 rodas, seis motores a jato de 747 e uma envergadura maior do que um campo de futebol.

“Eu adoraria ter um sistema reutilizável completo, com operações semanais, se não em maior frequência, do estilo aeroportuário, repetidamente”, disse Allen, sentado em seu escritório de Seattle.

O avião espacial Black Ice — se construído — seria tão grande quanto o antigo ônibus espacial desenvolvido pela Nasa e capaz de permanecer no ar por no mínimo três dias. Ele poderia ser lançado de praticamente qualquer lugar do mundo, desde que a pista acomode o tamanho do Stratolaunch. Também seria capaz de voar para a Estação Espacial Internacional, levando satélites e experiências para a órbita, e, talvez um dia, até pessoas — embora não haja planos para isso no curto prazo. E então pousaria na pista, pronto para voar de novo.

“Você faz de seu foguete um avião”, disse Floyd. “Então, você tem um avião que transporta outro avião que é totalmente reutilizável. Você não joga nada fora, nunca. Apenas combustível”.

Por enquanto, a empresa está focada no primeiro voo do Stratolaunch, que poderá acontecer no final de 2018. Então, decidirá se prossegue com o projeto do Black Ice.

Retomar os voos espaciais tripulados pode ser uma possibilidade em algum momento no futuro, disse Allen, o empresário bilionário que fundou a Microsoft com Bill Gates e agora é proprietário do Portland Trail Blazers e Seattle Seahawks, times norte-americanos de basquete e futebol americano, respectivamente.

“Acho que o que se vê agora, além de missões de reabastecimento [de estações espaciais], é a maioria dos voos espaciais sendo usadas para o lançamento de satélites. Essa é a realidade. E eles são extremamente importantes para tudo, da televisão aos dados em todo o mundo. Você consegue dados no deserto do Kalahari porque há um satélite lá em cima”, disse.

O Stratolaunch gerou todo tipo de interesse, uma curiosidade que, há anos, estava sendo construída em segredo dentro de um hangar tão grande que a empreiteira responsável, Scaled Composites, precisava de permissões especiais apenas para os andaimes de construção.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, visitou o avião em seu hangar e andou por sua envergadura. A secretária da Força Aérea, Heather Wilson, passou para vê-lo também, e escreveu em seu Twitter que teve “a chance de ver de primeira mão como a @Stratolaunch está desenvolvendo uma plataforma de lançamento aéreo para tornar o espaço mais acessível”.

Allen fez história em 2004, quando contratou a Scaled Composites para construir outra nave espacial chamada SpaceShipOne que ganhou o Prêmio Ansari X ao se tornar o primeiro veículo não-governamental a chegar no limiar do espaço. Allen finalmente licenciou a tecnologia por trás da nave espacial para Richard Branson, da Virgin Galactic, que agora busca seu próprio plano para levar turistas para o espaço a bordo de um novo avião espacial, conhecido como SpaceShipTwo.

“Levar pilotos de testes, eu entendo”, disse Allen. “Mas passageiros como esses que compram pacotes turísticos, eu prefiro deixar isso para outra pessoa fazer”.

Depois de se afastar do negócio espacial, Allen finalmente retornou para perseguir uma de suas maiores paixões, e em 2011 anunciou que estava construindo o Stratolaunch. “Você tem um certo número de sonhos em sua vida que deseja realizar”, disse ele na época. “E este é um sonho com o qual estou muito entusiasmado”.

O sonho do espaço

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/03/09/Economia/Imagens/Cortadas/731px-Paul_G._Allen-kR0-ID000002-1024x1433@GP-Web.jpg
Paul Allen e sua coleção de aviões da II Guerra Mundial.Miles Harris/Wikimedia Commons

Allen, um conhecedor de aviões antigos, acumulou uma coleção de relíquias da Segunda Guerra Mundial que ele cuidadosamente remodelou. Ele os recuperou de velhos campos de batalha — um Messerschmitt, avião de combate alemão, foi escavado de uma duna de areia em uma praia francesa onde estava enterrado por décadas; um Ilyushin IL-2M3 Shturmovik foi reconstituído com os destroços de quatro aviões recuperados no noroeste da Rússia.

Para mostrar sua coleção, Allen criou um museu, o Flying Heritage & Combat Armor Museum, em Everett, Washington, que possui um Grão F6F-5 Hellcat, e um Bombardeiro B-25, entre outros.

Quando criança, Allen conhecia todos os nomes dos astronautas de Mercury 7, como se fossem os jogadores de sua equipe de beisebol favorita, e ele queria ser um astronauta quando crescesse. Mas então, na sexta série, ele já não podia enxergar o quadro-negro, mesmo de seu assento na primeira fila. Sua miopia significava que “meus sonhos de ser um astronauta acabaram”, disse ele. “De alguma forma, eu sabia que era preciso ter uma visão perfeita para ser um piloto de teste, e então era o fim da minha carreira de astronauta”.

Uma vez, tentou lançar o braço de uma cadeira de alumínio, empacotando-o com zinco em pó e enxofre e atirando-o de uma cafeteira, recordou o autointitulado “Homem das Ideias”. Não funcionou. “Acontece que o ponto de fusão do alumínio era mais baixo do que eu havia entendido”, disse ele.

Já adulto, sua paixão pelo espaço continuou. Em 1981, ele foi ao Kennedy Space Center assistir ao seu primeiro lançamento. “O som era inacreditável”, lembrou ele. “O ar estava vibrando, e você podia sentir ondas de compressão entrarem no seu peito... Você sentia o calor dos motores no seu rosto”. Allen observou isso ao lado dos milhares que lotaram a costa da Flórida, a muitos gritos: “Vá! Vá! Vá! Foi tão inspirador”.

Em uma publicação no site da Stratolaunch, Allen disse que há muito e´“fascinado pela ideia de exploração espacial... Mas nunca imaginaria que, mais de 50 anos depois, o acesso à baixa órbita terrestre ainda seria caro, complexo e difícil. Estou determinado a mudar isso para ajudar a maximizar o potencial do espaço e melhorar a vida aqui na Terra”.

Um ônibus espacial totalmente reutilizável seria um longo caminho para isso, especialmente um capaz de implantar constelações de pequenos satélites. Na entrevista, Allen disse que estava profundamente interessado nessa tecnologia.

“As capacidades desses pequenos satélites são realmente interessantes e fascinantes, como para as comunicações, em que muitas pessoas estão utilizando satélites para monitorar a saúde de nosso planeta”, afirmou. Ele ficaria particularmente interessado em como o espaço poderia ser usado para ficar de olho em “coisas como a pesca ilegal no oceano, que é um problema crescente”.

História adaptada do livro “The Space Barons: Elon Musk, Jeffrey P. Bezos and the Quest to Colonize the Cosmos”, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Economia

PUBLICIDADE