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O ano do apocalipse ou da retomada global?

Especialistas se dividem com respeito às expectativas para o crescimento econômico. Embora a maioria seja otimista, todos alertam para o risco de uma fase mais longa de recessão

No filme 2012, terremotos e tsunamis submergem continentes inteiros e levam à destruição da maior parte da humanidade. Na vida real, os terremotos podem muito bem ser financeiros, e não geológicos | Fotos: Divulgação
No filme 2012, terremotos e tsunamis submergem continentes inteiros e levam à destruição da maior parte da humanidade. Na vida real, os terremotos podem muito bem ser financeiros, e não geológicos (Foto: Fotos: Divulgação)
Luke Skywalker leva nos ombros o sábio jedi Yoda, em cena de O Império contra-ataca. Ou será a Alemanha, carregando nas costas uma Europa envelhecida e cheia de benefícios concedidos pelo Estado? |

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Luke Skywalker leva nos ombros o sábio jedi Yoda, em cena de O Império contra-ataca. Ou será a Alemanha, carregando nas costas uma Europa envelhecida e cheia de benefícios concedidos pelo Estado?

Incerteza é um veneno para a economia. Com um pouco de planejamento é possível comprar, vender e contratar em meio à maior das crises, mas poucos se arriscam quando não é possível enxergar um futuro em terra mais ou menos firme. Este ano, até agora, foi campeão no que se refere à falta de razões concretas para apoiar cenários. 2012 pode ser o ano do fim do mundo em termos econômicos, como no filme de Roland Emmerich, ou o ano da virada – uma espécie de O Império contra-ataca da vida econômica.

A maior parte dos especialistas alinha-se ao cenário da virada – sim, existem economistas otimistas. Mas todos eles pelo menos assinalam a possibilidade de a situação piorar. A crise passada, em 2008, serviu como uma grave advertência contra o perigo de subestimar or problemas. O Fundo Monetário Interna­­cional, que na semana passada divulgou uma atualização das suas previsões sobre a economia mundial, destacou que o ritmo da recuperação diminuiu e alertou para o aumento dos riscos.

No centro das controvérsias está o rumo da Europa e do euro, que depende de negociações políticas entre os países membros entre si e dentro de cada um, nos congressos. No site da revista britânica The Economist, uma enquete pode servir de barômetro para essa discussão: 66% dos votantes acreditam que o euro terminará intacto este ano – ou seja, sem que nenhum dos 17 países usuários deixe a união monetária –; os restantes 34% creem que algo mais drástico pode ocorrer.

Os textos desta página mostram os passos que poderiam levar a cada cenário.

Política atrapalha recuperação

Com 17 países envolvidos, cada um com suas expectativas e planos, o risco de haver desencontros políticos que atrasem as medidas necessárias na zona do euro é muito grande. "A União Europeia deu um passo importante ao sinalizar que vai buscar um novo acordo fiscal. Mas precisa definir muito bem que acordo será esse", observa Lucas Dezordi, economista-chefe da gestora de recursos Inva Capital.

Além desse, há outros riscos. A precária situação fiscal da Itália (cujas dívidas ultrapassam 130% do PIB) é uma delas. Para o economista libanês-americano Nouriel Rou­­­bini, que ganhou notoriedade por prever a crise de 2008, será muito difícil evitar o contágio de Itália e Portugal. "Há 50% de possibilidades de que a zona do euro se desintegre em três ou cinco anos", diz. Caso isso ocorra, o comércio internacional e o setor financeiro serão atingidos, com reflexos graves para a economia global.

Efeito colateral

O FMI aponta um risco adicional: o de as reduções de gastos promovidos pelos governos diminuírem o crescimento do PIB. Como os países europeus têm gastos fixos grandes (com pensões e atenção à saúde, por exemplo), é possível que qualquer corte acabe por piorar a saúde financeira dos países.

A lição da austeridade foi aprendida

Demorou, mas os governos parecem estar aprendendo que gastar mais do que se arrecada é um mau negócio. Segundo relatório do Fundo Monetário Inter­­­nacional (FMI) divulgado há dez dias, o déficit fiscal tem caído desde 2009, quando atingiu um pico de 6,7% do Produto Interno Bruto. Na região do euro – onde as dívidas e o déficit são a principal causa da crise atual –, o déficit caiu de 6,3% do PIB, em 2010, para 4,3%, em 2011. A previsão do fundo é de novas reduçãoes, para fechar 2013 com 2,9%. Dentro, portanto, dos parâmetros do Tratado de Maastricht, de 1992, que estabeleceu os critérios para os países que quisessem adotar o euro. "Será o ano da inflexão", prevê o economista José Guilherme Vieira, professor da Universidade Federal do Paraná.

Esperança chinesa

Outro indício de que os impérios econômicos estão contra-atacando a crise é a notícia de que a desaceleração da China não foi tão intensa quanto se esperava. Em 2011, o gigante asiático crescer 9,2%. Embora o número seja bastante alto para os padrões ocidentais, é modesto para a trajetória da China, que em 2010 havia se expandido em 10,4%. Só que os analistas esperavam algo pior, perto de 8,5%. Com a Europa fraca e os Estados Unidos em lentíssima recuperação, a demanda chinesa é a grande esperança do co­­mércio global. E é o maior parceiro comercial do Brasil.

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