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Oitava etapa

O despertar para a industrialização

Começa a funcionar em janeiro, no distrito de Palmeirinha, em Guarapuava, o incubatório de aves da Agrogen. A empresa, que promoverá o desenvolvimento genético de matrizes de frangos, deve contratar 50 pessoas em uma primeira fasem (leia mais na matéria abaixo). Parece pouco para um município que precisa criar empregos em grandes números, mas o prefeito Fernando Ribas Carli tem os olhos postos nas oportunidades que o empreendimento trará. "Essa empresa vai permitir criar um pólo de produção de aves nesta região do estado", afirma Carli. "E, atrás dela, esperamos que venham grandes indústrias, com muitos empregos. A chegada da Agrogen está sendo tratada pela administração municipal como o ponto de partida de uma nova etapa de industrialização do município, tema que será discutido durante a oitava etapa do Fórum Futuro 10 Paraná, na próxima terça-feira, 8, em Guarapuava.

Carli ocupa a prefeitura pela segunda vez. Sua primeira gestão foi no período entre 1989 e 1993. De lá para cá, a cidade melhorou em muitos aspectos. "Deixamos de ser um pólo regional apenas no nome para ser uma referência de fato em áreas como serviços e saúde", diz Carli. Em contrapartida, o crescimento trouxe conseqüências negativas. "Aumentou muito a demanda por serviços públicos, principalmente em saúde e educação, além de uma deterioração na infra-estrutura", afirma o prefeito.

A primeira parte do problema, que está relacionada a oportunidades de trabalho e geração de renda, está sendo combatida com ações como a criação do "Pólo de Jóias Folheadas e Bijuterias". O projeto foi inspirado nos pólos de Limeira, em São Paulo, e Guaporé, no Rio Grande do Sul, onde as pequenas indústrias de bijuterias dão emprego a centenas de pessoas. Em uma indústria piloto, a prefeitura está treinando 40 empreendedores. "Queremos despertar as vocações que existem na cidade", diz Carli. Outra vocação é a moveleira, para aproveitar a forte indústria da madeira na região. Técnicos da prefeitura estão dando cursos de gestão, marketing, administração e desenho de móveis para cem pequenos empresários. "Temos muitas aflições, mas também temos muita criatividade e vontade de trabalhar."

O município precisa, de fato, de muito trabalho. Apesar de estar em nono lugar no estado em número de habitantes – 155 mil, pelo censo de 2000 –, ocupa apenas a 141.ª posição no ranking do PIB per capita. O Índice de Desenvolvimento Humano é de 0,773, abaixo da média paranaense, de 0,786. Para o empresário Renato Kuster Filho, presidente do conselho deliberativo da Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava (Acig), a solução passa pela exploração das forças econômicas do município, como a agricultura e a pecuária de ponta. Ele ainda vê muitas dificuldades pela frente, mas também acredita que a situação está melhorando. "Eu, por exemplo, tive de estudar em Curitiba, porque aqui não havia alternativas", conta. "Agora, temos três grandes instituições de ensino superior. Ou seja, muitos filhos já não precisarão fazer a viagem até a capital."

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