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Automóveis

O fim de uma tradição: varejo de veículos agora é multimarcas

O mercado brasileiro de automóveis vive em 2006 a melhor temporada dos últimos nove anos. Até outubro, as vendas chegavam a quase 1,5 milhão de unidades, na soma de automóveis e comerciais leves (picapes), com crescimento de 13% em relação ao ano passado, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Mas os problemas do agronegócio e seu impacto negativo sobre a economia paranaense, especialmente no interior, limitaram o avanço no Paraná: o dado mais atual, de setembro, mostra um incremento de apenas 0,95% em relação aos primeiros nove meses do ano passado.

Mesmo assim, o aumento da renda do consumidor, o maior acesso ao crédito e os bons resultados do setor nos últimos anos vêm acelerando o crescimento de alguns grupos empresariais que controlam concessionárias do estado, principalmente na capital – que não sofre tanto com a crise no campo e apresenta vendas acima da média estadual.

O diretor regional da Fenabrave, Luiz Antônio Sebben, explica que, nos últimos dez anos, houve um processo de concentração na revenda de automóveis: embora haja mais concessionárias, o número de grupos empresariais que controlam o mercado curitibano diminuiu. Além disso, é cada vez mais comum que um mesmo grupo tenha concessionárias que vendam diferentes marcas.

"É praticamente impossível que, em determinada cidade, a concessionária tenha desempenho muito melhor que o da montadora que ela representa, o que limita seu crescimento", diz Sebben. Com várias marcas, por outro lado, aquelas com vendas em alta compensam resultados mais fracos das demais.

Exemplo dessa diversificação é o Grupo Barigüi, que nos últimos cinco anos abriu mais de uma dezena de concessionárias, de várias marcas, em Curitiba e Santa Catarina. Na semana passada, o grupo deu um importante passo no estado vizinho: comprou pelo menos uma concessionária da marca Volkswagen em Florianópolis.

Ivo Roveda, sócio do Grupo Barigüi envolvido nas negociações, não confirma, mas fontes do setor informam que o número de lojas adquiridas na capital catarinense pode chegar a quatro – seriam duas da rede Auto Capital e duas da Futura. Ainda falta uma etapa para que o Grupo Barigüi assuma as concessionárias – o aval da Volkswagen. A montadora deve dar a resposta nos próximos 15 dias.

Criado em 1993, o grupo Barigüi cresce vigorosamente desde 2001, ano em que começou a abrir ou a adquirir 15 revendedoras de 5 marcas diferentes: além de Fiat, Ford, Renault e Toyota, o Barigüi inaugurou em outubro sua primeira concessionária de motos, da marca Suzuki, ao mesmo tempo e no mesmo terreno em que fica a primeira loja multimarcas do grupo, a Grid Megastore. Os sócios Ivo Roveda e Antônio Carlos Bordin têm ainda lojas em Itajaí e Blumenau (SC).

Se confirmada, a compra das quatro lojas em Florianópolis vai representar a entrada do grupo na capital catarinense e sua estréia como revendedor da Volkswagen. Das quatro maiores montadoras do país, o Grupo Barigüi só não terá revendedoras da General Motors. Mas, segundo um empresário do setor, os planos do Barigüi seriam bastante ambiciosos: abrir ou comprar algumas dezenas de lojas nos próximos anos para que o ganho em escala compense a pequena margem de lucro. Ivo Roveda desconversa, e adianta apenas que "serão avaliadas todas as oportunidades que surgirem", sem descartar negócios em outras cidades ou estados.

Por outro lado, gente de São Paulo anda de olho em concessionárias paranaenses.

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