
Há alguns meses, havia uma expressão que se repetia nos blogs de tecnologia: iPhone killer, "o matador do iPhone". Esse era o aparelho que todas as fábricas queriam uma máquina com tela sensível ao toque, tão atraente e fácil de usar que seria capaz de quebrar o encantamento que Steve Jobs e sua turma estavam impondo sobre consumidores de todo o mundo.
A expressão é menos popular agora do que foi no primeiro semestre, talvez porque os próprios protagonistas tenham percebido que ela tinha muito mais cara de dor de cotovelo do que de estratégia empresarial. Mas a ideia continua a mesma, e o que a Microsoft lançou na semana passada, com toda a pompa de revolução no mercado, é mais uma tentativa de apresentar o iPhone killer do momento. Desta vez, mais do que um simples aparelho, trata-se de um conceito que tem apelo para funcionar: o Windows Phone.
O "pacote" Windows Phone traz duas novidades: o Marketplace, loja de aplicativos da Microsoft, e o Windows Mobile 6.5, o novo sistema operacional da empresa, agora totalmente adaptada para dispositivos com telas sensíveis ao toque, o que implica ícones maiores e mais fáceis de usar. Um novo navegador Internet Explorer e um serviço de backup gratuito em ambiente virtual (ou seja, na "nuvem"), o My Phone, foram outras funcionalidades anunciadas.
O lançamento do Windows Phone é simultâneo em todo o mundo. Na Europa e Ásia, 14 modelos de smartphones estão chegando ao mercado com os novos sistemas. A lista inclui aparelhos da HTC, LG, Samsung, Toshiba e ZTE. No Brasil, a Microsoft firmou parceria com a TIM, e estão chegando às lojas três modelos de Windows Phones: o Samsung Omnia II, o LG GW550 e o HTC Touch 2. Até o fim deste ano, a expectativa da Microsoft é chegar a 30 aparelhos com a plataforma. A meta é ambiciosa, principalmente levando-se em conta que a fatia do Windows Mobile no mercado não é muito grande (9% do mercado global, segundo pesquisa de agosto) e que a concorrência está aumentando.
Um dos principais fronts da concorrência será o Marketplace. Essa é uma área em que a Microsoft chegou atrasada. Uma das razões do sucesso da Apple é a App Store, a loja de aplicativos da marca. Outras empresas, como a Palm, a RIM (dona do BlackBerry) e até a Nokia, seguiram o mesmo caminho. O Marketplace terá para os usuários brasileiros os mesmos aplicativos oferecidos no exterior, incluindo jogos, vídeos e redes sociais. Até o fim do ano, serão 20 mil opções. Os preços, definidos pelos desenvolvedores dos aplicativos, variam entre US$ 1 e US$ 50 e, por enquanto, serão pagos via cartão de credito. "Vamos estimular os aplicativos ainda não cadastrados pela Microsoft a migrarem para o Marketplace. Teremos regras para aprovação dos aplicativos e, depois de comprados, eles terão até cinco dias úteis para serem aplicados", diz Julio Ramos, gerente de soluções de mobilidade da Microsoft.
De início, no entanto, a grande atração para os usuários de Windows Phones serão as próprias aplicações da Microsoft. Como trata-se de um produto Windows, a integração dele com computadores rodando o sistema operacional da Microsoft será total (veja mais na reportagem ao lado). Isso inclui facilidades para usar o Windows Live e o acesso a redes sociais.






