Quando se mudou para os Estados Unidos a fim de fazer seu doutorado, em 1992, o professor universitário e engenheiro agrônomo Luiz Antônio Lucchesi levava consigo uma convicção: quando o assunto é conservação da natureza, a iniciativa privada brasileira preferia investir muito mais em marketing do que em ação. A idéia que ele desenvolveu para mudar esse cenário transformou-se em negócio em 2005, depois da volta para Curitiba, por meio da Alto Iguaçu Engenharia, Agronomia e Ambiente. A empresa é uma das mais recentes a embarcar na esteira de um movimento que ganhou força nos últimos anos: a preocupação das grandes companhias com a preservação do meio ambiente.
O que a Alto Iguaçu faz é colocar em prática a tecnologia que Lucchesi aprendeu no exterior e desde 1997 vem desenvolvendo com seus alunos de pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR): a transformação do lodo de esgoto em adubo. O administrador de empresas Antônio Carlos Lacerda e o médico veterinário Roberto Brustolin acreditaram na idéia e instalaram em São José dos Pinhais uma usina de processamento do lodo. Para indústrias da região, a empresa propõe recolher seus resíduos e transformá-los em insumo básico para a agricultura.
Ao prestar serviços e consultoria para companhias cujas atividades têm grande impacto no meio ambiente, empresas como a Alto Iguaçu estão desenvolvendo na prática aquilo que antes era só discurso e ganhando dinheiro com isso. "O Brasil está bastante atrasado no conceito ambiental, já que os empresários só despertaram para essa necessidade depois da aprovação da Lei de Crimes Ambientais, em 1998", diz. "O mercado ambiental tem uma grande demanda reprimida."
Com uma lei mais rigorosa contra os crimes ambientais, a iniciativa privada precisou dar maior atenção não apenas ao destino dos resíduos industriais como também tiveram que ficar mais cuidadosos com a instalação das indústrias. Bom para quem faz estudos e relatórios de impacto ambiental (EIA/Rima), caso da curitibana IGPlan. Criada há pouco mais de quatro anos, a empresa colhe informações e elabora planejamentos ambientais por meio de cartografia e imagens de satélite.
O diretor da IGPlan, Francisco Lange, diz que a procura de seus serviços está crescendo, mas ainda é tímida. "A demanda continua muito concentrada em empresas públicas e nos governos municipais, estaduais e federal." Para ele, o setor privado hesita em avançar além do mero cumprimento da lei e muitas vezes estaria se aproveitando de estar em dia com a Justiça para fazer marketing, "transformando uma obrigação em um ato de bondade para o meio ambiente". "O que as empresas parecem não ter percebido ainda é que a questão ambiental certamente lhes trará resultados econômicos positivos."



