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Mão-de-obra

Onde estão os empregos?

Com o aquecimento da economia, algumas empresas já sentem dificuldade para preencherem vagas abertas. É tempo de oportunidades para quem busca um lugar no mercado

Crescimento da economia embala geração de empregos no estado |
Crescimento da economia embala geração de empregos no estado (Foto: )

A retomada do crescimento econômico trouxe à tona o problema da escassez de profissionais qualificados no mercado de trabalho. Alguns setores já começam a sentir sinais de um "apagão" de mão-de-obra e têm dificuldade para preencher as vagas abertas. Os setores mais atingidos são os que estão com demanda aquecida, como construção civil, indústria do petróleo, de material de transporte, tecnologia da informação, agronegócio e varejo. A forte procura, por outro lado, tem favorecido o aumento dos salários e a valorização de algumas profissões, como a de engenheiros, analistas de sistemas, vendedores e mecânicos. Para quem procura uma colocação, significa que é hora de ficar atento às oportunidades de qualificação e aos setores que estão crescendo.

A demanda por engenheiros, de todas as áreas, atualmente é 30% superior à oferta de profissionais no mercado, calcula Euclesio Finatti, diretor técnico do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) no Paraná. Para reter trabalhadores, as grandes empresas aumentaram os salários e ampliaram a concessão de benefícios. Outras criaram programas de qualificação e treinamento com recursos próprios.

Quanto mais especializada a função, mais difícil é achar mão-de-obra no mercado. A Sepac Serrados e Pasta de Celulose, fabricante de papel com sede em Mallet, no Sul do estado, criou uma escola técnica em parceria com o Senai para capacitar pessoal. Com investimento de R$ 100 milhões, a empresa acaba de colocar em operação uma nova máquina que vai dobrar a capacidade de produção, para 200 toneladas por dia. "Sem isso [parceria com o Senai], não achamos pessoal técnico no mercado para o setor de celulose e papel", diz Valéria Borges, supervisora de Recursos Humanos. "Hoje tenho 30 vagas para contratação imediata e parte delas deve ser formada no curso", afirma. Com a ampliação, o número de funcionários da fábrica deve passar de 320 para 500.

Para a coodernadora de recursos humanos da gigante norte-americana ExxonMobil em Curitiba, Lissandra Fieltz, é preciso ser rápido na contratação de alguns profissionais, principalmente da área de informática, para não perder o candidato para outra empresa. "Atualmente, cada concorrente já tem três, quatro propostas em estudo. Não dá para adiar a decisão de contratação", afirma. Segundo ela, a ExxonMobil contrata em média de 20 a 30 pessoas por mês na capital paranaense, onde está o Centro de Serviços para Negócios do grupo e trabalham 1,3 mil pessoas. Até o fim do mês, a empresa recruta candidatos para o seu programa de estágio para 2009. São 77 vagas, para as áreas de Administração, Contábeis, Economia, Engenharias e Informática. "Na última edição, dos 77 selecionados, 60 foram contratados ao fim do estágio", afirma.

Segundo o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o mercado de trabalho deve continuar crescendo no segundo semestre, ainda que em ritmo menor. "Tradicionalmente, a geração de emprego é maior no primeiro semestre, mas ainda assim teremos um fim de ano muito bom". Segundo ele, o crescimento da economia, do crédito, da renda da população e o aumento da confiança na manutenção do emprego ajudaram a aquecer setores estratégicos, como o da construção civil, da alimentação, de vestuário e metal-mecânico.

No acumulado do primeiro semestre, o Paraná registrou um saldo – diferença entre admissões e demissões – recorde de 109.162 vagas, o maior desde o início da série histórica, em 1992. O nível de emprego formal cresceu 5,6% em relação aos primeiros seis meses de 2007, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O Paraná tem crescido acima da média nacional graças ao bom desempenho da agricultura e da agroindústria, dois segmentos que têm bastante peso na economia do estado. No Brasil todo, o nível de emprego cresceu 4,7% no primeiro semestre, segundo o Dieese.

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