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Energia

Opep cogita ampliar produção de petróleo; Irã discorda

Arábia Saudita afirma ter reservas para atender demandas globais. Irã considera que não há necessidade de aumentar oferta

A Opep está discutindo a possibilidade de ampliar a oferta de petróleo, disse na terça-feira (8) o ministro kuweitiano do setor, embora muitos no grupo permaneçam céticos, alegando que a oferta global é confortável apesar da interrupção na exportação de petróleo da Líbia.

O anúncio dessas discussões, junto com as garantias dadas pela Arábia Saudita de que não faltará petróleo no mundo, bastaram para que o preço do produto recuasse no mercado global, depois de alcançar na segunda-feira seu maior valor desde setembro de 2008.

"Estamos em consultas sobre um potencial aumento na produção, mas ainda não decidimos," afirmou na terça-feira a jornalistas o ministro kuweitiano do Petróleo, xeque Ahmad al Abdullah Al Sabah.

Por causa do conflito entre forças governistas e rebeldes na Líbia, o país do norte da África cortou cerca de dois terços da sua oferta de petróleo, que habitualmente é de 1,6 milhão de barris por dia, ou quase 2 por cento da produção global.

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) há mais de dois anos não altera formalmente suas políticas, mas há meses já vinha ampliando a oferta. Na terça-feira, a Arábia Saudita disse ter reservas suficientes para atender à demanda global.

"O reino tem uma capacidade excedente de 3,5 milhões de barris por dia, o que poderia ajudar a compensar uma eventual escassez," disse o ministro saudita do Petróleo, Ali al Naimi, em declarações divulgadas pela agência estatal de notícias saudita SPA.

Já o Irã, que preside a Opep em 2011, minimizou as especulações sobre um aumento na oferta por parte do cartel de produtores.

"Não há escassez no mercado," disse à Reuters o representante de Teerã no bloco, Mohammad Ali Khatibi. "Não há necessidade de uma maior oferta da Opep. Mas os consumidores estão preocupados, isso é psicológico."

A Opep só deve rever sua política em junho, e o secretário-geral da entidade, Abdullah al Badri, está sondando os ânimos dos países exportadores sobre a possibilidade de uma reunião extraordinária antecipada, segundo o ministro kuwaitiano. "Tenho conversado com Al Badri e ele está ligando para todo mundo e buscando um consenso sobre se precisamos de uma reunião," afirmou Al Sabah.

Fontes sauditas de alto escalão disseram à Reuters na semana passada que o reino já aumentou a produção e está exportando cerca de 9 milhões de barris diários - em torno de 1 milhão de barris a mais do que sua meta definida junto à Opep.

Na sua última reformulação de políticas, em dezembro de 2008, a Opep estipulou uma redução recorde na produção mundial, da ordem de 4,2 milhões de barris por dia, a fim de combater a queda na cotação que era registrada naquela época, por causa da crise financeira global.

Pelo menos numa ocasião anterior, em 2001, a Opep já havia ajustado sua produção depois de conversas telefônicas entre ministros, sem necessidade de uma reunião formal.

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