São Paulo - O presidente da TIM Brasil, Mário César Pereira de Araújo, cobrou "coerência" nas discussões sobre a terceira geração da telefonia móvel no Brasil, modalidade que inclui a transmissão de voz e dados em alta velocidade. Isso porque, ao mesmo tempo em que o governo federal estuda qual modelo de televisão digital irá adotar - e tudo indica que o escolhido será o padrão japonês, que permite mobilidade e grande qualidade na transmissão das imagens -, tramita no Congresso um projeto de lei que propõe a proibição da transmissão de conteúdos via telefone celular.
"Discute-se colocar televisão em celulares. Mas ouvimos declarações e vemos no Congresso projetos que proíbem a transmissão de conteúdo. Então você passa a pensar se vale a pena investir em banda larga, em colocar TV no celular", disse Araújo ontem, em entrevista coletiva no auditório do Parque Ibirapuera, em São Paulo. O presidente da TIM - a segunda maior operadora de telefonia móvel do Brasil em número de clientes - não confirmou se está revendo os planos da companhia em relação ao chamado celular 3G. Mas insinuou que, enquanto permanecer a indefinição sobre a regulamentação da terceira geração, a empresa não vai fazer grandes investimentos nessa tecnologia.
Hoje, somente a Vivo oferece o celular 3G. Novos leilões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a venda de outras freqüências, que beneficiariam as demais operadoras, só devem sair no ano que vem. Mas essa demora não parece incomodar o presidente da TIM - empresa que, segundo o próprio executivo, "sempre esteve na vanguarda tecnológica". Araújo afirmou que, antes de qualquer coisa, o país precisa decidir se permitirá ou não a transmissão de conteúdos pela telefonia móvel. "As operadoras precisam de um retorno que justifique o investimento em novos produtos. E não adianta colocar a terceira geração hoje se você não tem conteúdo. É como comprar um Boeing e não ter o que colocar dentro."
Mercado
A TIM espera para 2006 um leve aumento em sua participação no mercado nacional de celulares - que atualmente está próxima de 24%, atrás da líder Vivo (34%) e à frente da Claro (22%) e da Oi (12%). Segundo Araújo, o número de usuários da telefonia móvel, que fechou 2005 em 86 milhões, pode encerrar este ano em 100 milhões. "Devemos acompanhar esse crescimento, mas com rentabilidade. Nossa postura é de sempre acompanhar o mercado, mas nunca com ações que não tragam retorno", disse o presidente da operadora. No ano passado, a TIM faturou R$ 8,784 bilhões, com crescimento de 34,2% sobre 2004. A base de clientes cresceu de 13,5 milhões para 20,2 milhões nesse período.



