
Ao invés de apenas lamentar a queda no fluxo de clientes e o prejuízo acumulado por causas das obras de revitalização da Rua Augusto Stresser, no bairro Hugo Lange, um grupo de comerciantes recorreu à criatividade e lançou uma campanha de descontos para minimizar os transtornos causados pela falta de estacionamentos e calçadas.
A campanha reúne mais de 60 estabelecimentos espalhados ao longo da rua nas áreas de vestuário, móveis e decoração, alimentação e serviços diversos. Todo esse esforço conjunto para reavivar o comércio da Augusto Stresser, incluindo os gastos com publicidade e com a criação de um site, custou cerca de R$ 70 mil e foi dividido pelo grupo.
A ideia, segundo os comerciantes, é convencer o consumidor de que os descontos compensam as dificuldades impostas pela revitalização. "Apesar das obras, a rua não está fechada. Mesmo com o faturamento baixo, estamos aqui dando descontos em pleno Natal", ressaltou a empresária Giovanna Conte, membro da Associação de Lojistas da Stresser, que viu o faturamento da sua loja de roupas cair 75% em setembro. Ela está oferecendo descontos de até 40%.
Prejuízo compartilhado
Assim como Giovanna, a grande maioria dos comerciantes acumula prejuízos desde o início das obras, em julho. "Nós concordamos com a revitalização da rua. Contudo, a prefeitura nos prometeu que as obras seriam feitas quadra a quadra para minimizar o impacto sobre o comércio local", afirma o proprietário da loja Espaço Confortável, Magno Lima.
Atualmente, o trecho entre a Rua Padre Germano Mayer e a Avenida Nossa Senhora da Luz está tomado pelas obras de revitalização das calçadas, asfalto e iluminação. Lima acredita que houve falta de planejamento e de ritmo dos trabalhos. "As obras chegaram a ficar paradas por 45 dias, sem qualquer motivo aparente", diz.
Jean Michel Galiano, coordenador do Conselho do Comércio Vivo da Associação Comercial do Paraná (ACP), informa que a entidade poderia interferir mais na obra em prol dos comerciantes da região, mas que na época do debate sobre a reforma a Associação dos Lojistas da Rua Augusto Stresser não solicitou a parceria. "A ACP interferiu na reforma da Avenida Marechal Deodoro, para ajudar o comerciante. No caso [da Augusto Stresser], houve falta de associativismo", diz Galiano.
Embora a prefeitura diga que os comerciantes e moradores foram consultados antes do início das obras, Giovanna afirma que a maioria não foi ouvida, mas apenas informada do projeto. Os comerciantes explicam que, na ocasião, a representatividade da antiga Associação dos Lojistas da Rua Augusto Stresser era bastante reduzida.
Obras fazem parte de pacote de revitalização
João Pedro Schonarth
As ruas Augusto Stresser e Fagundes Varela, que ligam os bairros Bacacheri, Juvevê e Hugo Lange ao Centro de Curitiba, passam por um processo de revitalização desde julho. As obras fazem parte de um pacote de investimentos em ruas comerciais e, segundo a prefeitura, serão concluídas até o fim do ano.
Ao custo de R$ 4,1 milhões, a Rua Fagundes Varela passa por uma reforma em 1,3 mil metros, entre a Linha Verde Norte e Rua México. O pavimento da pista e as calçadas estão sendo refeitos, a iluminação será renovada (com postes para pedestres, como no caso do Anel Viário) e haverá um novo paisagismo. A pavimentação deve estar completa na semana que vem e vai se interligar com a atual trincheira Bacacheri-Bairro Alto e outra que será construída sob a Linha Verde Norte.
A transformação da Rua Augusto Stresser é ainda maior. O trecho de 1,7 mil metros entre a Avenida Nossa Senhora da Luz e a Rua Almirante Tamandaré vai ganhar nova pavimentação, novas faixas de circulação e estacionamento, novas calçadas e iluminação, além de reordenamento do tráfego. A obra, que também custa R$ 4,1 milhões, está sendo feita em partes para reduzir o impacto sobre o comércio.
R$ 8,2 milhões é o custo total da revitalização de 3 mil metros das ruas Augusto Stresser e na Fagundes Varela. A prefeitura promete entregar as obras até o fim deste ano.





