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Estratégia

Para segurar empregado, vale até 14.º salário

No restaurante Pata Negra, de Curitiba, os funcionários passam a ganhar 14º salário a partir do terceiro ano de casa | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
No restaurante Pata Negra, de Curitiba, os funcionários passam a ganhar 14º salário a partir do terceiro ano de casa (Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

Mais que os clientes, a mão de obra qualificada tem sido alvo de disputa entre bares e restaurantes. O dono do Pata Negra, em Curitiba, Carlos Ernesto Aichinger, conta que a grande dificuldade tem sido conseguir garçons, atendentes e cozinheiros. "Nós contratamos, treinamos e os profissionais saem para outros serviços ou estabelecimentos. É difícil", desabafa Aichinger.

Para tentar manter seus empregados, Aichinger passou adicionar o benefício do 14.º salário. "Tive de adotar uma prática de corporações gigantes, como Petrobras e Vale, para tentar segurar o colaborador", afirma. Ele acredita que, por ser uma profissão muito desgastante, os profissionais acabam sendo seduzidos por qualquer proposta salarial acima da praticada. "Dificilmente essas pessoas trocam de setor. A maior parte migra entre os bares e restaurantes da cidade", explica.

Atualmente, são 20 funcionários no Pata Negra e 12 deles estão empregados há mais de um ano, prazo estabelecido por Aichinger para que tenham direito ao benefício.

Capacitação

O proprietário de outro restaurante, o Trattoria Formaggio, João Frederico Bonatti, conta que o treinamento de um novo contratado dura, em média, três meses, mas metade dos seus funcionários saem em um período de seis meses. "É o pior cenário possível, pois temos tempo de formar um bom garçom, mas que acaba sendo aproveitado por outra empresa", lamenta.

Ele está bancando cursos de línguas para os seus colaboradores mais antigos. "Tento estabelecer uma relação de confiança. Se o funcionário demonstra interesse e comprometimento, vale o investimento", afirma.

Bonatti conta que as principais reclamações dos profissionais do setor são a jornada de trabalho fora do horário comercial, a necessidade de trabalhar nos finais de semana e a falta de perspectiva de carreira. "Sei que a busca é legítima por melhores condições de trabalho, mas os empresários do setor sofrem", completa.

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