Paraná e São Paulo estão na reta final na disputa pela nova fábrica da Toyota. A informação foi dada ontem por uma alta fonte do governo do Paraná, que prefere não ser identificada. Representantes da empresa repassaram ao governo, há cerca de um mês, que "os outros estados (com exceção de São Paulo) já foram descartados" e que a definição do local deve ser tomada até o final de novembro, pela direção mundial do grupo, no Japão. Segundo essa mesma fonte, os investimentos da montadora japonesa devem ficar entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões.
O mistério em torno da localização da nova fábrica se arrasta há mais de um ano e todas as negociações estão sendo realizadas no mais absoluto sigilo, a pedido da fabricante japonesa. Sabe-se que São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, que já abriga fábricas da Renault, da Volkswagen e da Nissan, teria menos chances por não estar na lista de benefícios do Bom Emprego, programa de incentivos do governo estadual que dá o direito de postergar por quatro anos o recolhimento de ICMS. O governo teria oferecido outros municípios da região metropolitana de Curitiba para sediar o projeto. Procurada, a assessoria de imprensa da Toyota não deu resposta ao pedido de entrevista.
Entre as vantagens de São Paulo, segundo a fonte do governo, está o fato de o estado já abrigar as operações industriais da empresa no país. Mas sabe-se que a direção mundial da Toyota não cogita a hipótese de fazer obras de expansão na fábrica de Indaiatuba, instalada em São Paulo.
No local falta uma área plana suficientemente grande para abrigar a nova instalação, que fabricará um modelo menor que o Corolla, que deve ser lançado em 2010. O novo carro é a grande aposta da empresa para fazer deslanchar suas vendas no país. A Toyota possui cerca de 3% do mercado nacional. "A expectativa é muito grande em relação a esse modelo, já que a empresa precisa ocupar o espaço que já vem sendo tomado por outros concorrentes", diz Danilo Ribeiro, gerente geral de vendas da Toyota Sulpar, uma das revendas da marca em Curitiba. Além do Corolla, a empresa produz no Brasil o Fielder e peças para a picape Hilux, montada na Argentina.
Considerado o grande investimento do setor automobilístico nacional para os próximos anos, a nova fábrica da Toyota é alvo de uma disputa acirrada. Alguns governadores, inclusive do Paraná, Roberto Requião (PMDB), além dos seus colegas de Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, teriam visitado os executivos da sede do grupo no Japão para demonstrar as vantagens dos seus estados.



