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Paraná disputa novo investimento da VW com cinco estados

Fábrica da Volks em São José dos Pinhais: em três anos, 76 dias de greve | Antonio More/Gazeta do Povo
Fábrica da Volks em São José dos Pinhais: em três anos, 76 dias de greve (Foto: Antonio More/Gazeta do Povo)

O Paraná está na disputa para receber a nova unidade de produção de veículos da Volkswagen. A empresa confirmou que avalia a possibilidade de ampliar a sua capacidade produtiva no país e está realizando um levantamento preliminar de informações e contatos junto a alguns estados, mas não divulgou quais. Além do Paraná, a montadora estaria analisando propostas de São Paulo, onde já tem três fábricas da marca, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. A Volks diz ainda não ter decidido se o incremento será por meio de uma nova unidade ou pela expansão de alguma fábrica já existente.De acordo com o secretário de Estado da Indústria e Comércio, Ricardo Barros, o governo paranaense e a diretoria da montadora mantêm negociações desde o fim do ano passado. "Nossa proposta foi o programa de incentivos Paraná Competitivo, e que cada empresa tem um perfil diferente e necessidades diferentes", diz o secretário, sem especificar mais detalhes da negociação, como valores e número de vagas que serão abertas.

Ainda segundo Barros, o Paraná tem grande chance de ser o escolhido caso a opção da Volks­­wagen seja por ampliar alguma de suas fábricas – a montadora tem unidade em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Mas, caso a decisão seja por uma nova fábrica, o estado deixaria de ser um dos principais concorrentes. "Aí fica mais difícil. Mas o estado está no páreo", ressalta.

Sindicato

Apesar de não estar participando do processo de negociação, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) torce para que a opção seja pela ampliação da fábrica paranaense. Do contrário, a entidade vai se pronunciar contra a construção de uma nova unidade. "Somos contra uma nova fábrica, pois, se ocorrer uma crise no futuro, consequentemente aumenta a pressão para o fechamento de uma unidade", explica o secretário-geral do SMC Jamil Dávila, que é empregado da Volks.

O SMC diz que a Volkswagen teria demanda para produzir mais 200 mil carros por ano, número não confirmado pela empresa.

Conflitos trabalhistas não influenciam, avalia sindicalista

O poder do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) não deve ser empecilho para que o Paraná seja o escolhido para receber o novo investimento da Volkswagen. Segundo o secretário-geral do SMC, Jamil Davila, o fator que mais pesa na hora de bater o martelo é a quantidade de benefícios oferecida pelo governo. "A discussão com o Sindicato é pequena. As decisões do governo são mais importantes e fundamentais para a vinda da montadora", diz.

A avaliação, no entanto, não é unânime. No fim do primeiro semestre, a greve de 37 dias dos trabalhadores da fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais se transformou na maior paralisação da história da montadora em todo o mundo. Na época, empresários e o governo estadual afirmaram que o enfrentamento entre a fabricante alemã e o sindicato representava um risco para o desembarque de outras empresas do setor em solo paranaense. A própria Volks emitiu sinais – não tão sutis – nesse sentido.

Os trabalhadores da Volks no Paraná têm uma média de paralisação bastante elevada. Nos últimos três anos, os empregados da planta de São José cruzaram os braços durante 76 dias, enquanto as três fábricas da marca no estado de São Paulo – em São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté – não deixaram de funcionar um dia sequer.

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