
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná proibiu, segunda-feira (18), a venda de poncãs e outras frutas cítricas com folhas e ramos dentro do estado. O objetivo é evitar a disseminação da doença conhecida como Mancha Preta dos Citros (MPC). Em janeiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento proibiu o trânsito de frutos cítricos com folhas e ramos entre estados.
A doença foi detectada em 2006 na região de Cerro Azul, na região metropolitana de Curitiba. O município é o maior produtor nacional de poncãs, com uma produção anual de sete milhões de caixas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O segundo maior produtor do país é o município vizinho, Doutor Ulysses. Juntos são responsáveis por 50% da produção nacional das frutas.
Os técnicos da Seab estão orientando toda a cadeia produtiva dos citros para as novas medidas, desde a produção até as redes de supermercados. "É também uma forma de evitar a disseminação da doença para outras regiões onde a fruticultura tem importância econômica como Norte e Noroeste do Estado", explicou o diretor da Secretaria, Herlon Goelzer de Almeida.
Segundo Almeida, a Secretaria vai orientar os produtores para que se organizem para instalações de "packings house", onde se trata a fruta e para a padronização das caixas. Com isso, o produtor irá ganhar um valor agregado que, certamente, vai substituir o cabo e as folhas, que podem ser disseminadores de doenças.
O diretor do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis), Silmar Bürer, reforçou a decisão e disse que o problema que afeta hoje municípios do Vale do Ribeira tem que ser controlado com medidas sanitárias para evitar a disseminação da doença. E a medida técnica sanitária é fazer o controle, e evitar que citros da região circulem para outras regiões com folhas e ramos.
Na semana passada alguns produtores se reuniram com o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, para discutir uma solução para o impasse, pois a safra está no início e com esta determinação o comércio da fruta está paralisado em toda a Região Sul e Sudeste do país.
Bianchini lembrou aos produtores da necessidade de cumprir a resolução federal, já que os Estados compradores da fruta adiantaram que não vão abrir mão dessa determinação. "Vamos trabalhar nesse sentido e precisamos da adesão de todos os produtores nesse processo. Não tem outra saída, ou como prorrogar. Folhas e caules precisam ser retirados senão os produtos não vão chegar a outras regiões. O melhor que o Paraná pode fazer agora é se adequar, mesmo que implique custos e logística, mas é uma forma de não perdermos mercado", afirmou Almeida.




