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Paranavaí abriga a toca dos mascotes

Paranavaí – Não importa qual série de mascotes promocionais seu filho, algum conhecido, ou você mesmo estejam colecionando no momento. É muito grande a chance de que esses personagens tenham sido criados em um barracão empoeirado do Jardim São Jorge, bairro da periferia de Paranavaí (noroeste do Paraná).

À exceção das coleções importadas da China – como o fenômeno "Mamíferos", da Parmalat, e os bichinhos de pano da rede de lanchonetes McDonald’s – cerca de 60% dos mascotes em circulação no Brasil são produzidos pela B&B Artesanato, indústria familiar conduzida por João Barbosa Teixeira, de 49 anos, e sua mulher, Vera, de 46 anos. No ano passado, o faturamento da empresa atingiu R$ 5 milhões.

"Num interior desses, eu brigo com os grandes", comenta Teixeira, ao analisar o sucesso do negócio. Encravada na região conhecida como Arenito Caiuá (pela constituição arenosa do solo), Paranavaí é um centro regional do agronegócio. O sustento econômico vem das indústrias de amido de mandioca, usinas de açúcar e álcool, uma fábrica de suco de laranja, grandes fazendas de bovinos de corte, além de pequenas e médias fábricas de produtos para a agropecuária.

Em resumo: as atividades do campo movimentam a cidade. A exceção são os mascotes sorridentes e coloridos que ganham vida no barracão sem letreiro e com listras multicores e desbotadas na fachada. O destino desses produtos são as metrópoles brasileiras e seus templos do consumo: shopping centers, redes de lanchonetes, hipermercados, postos de gasolina.

Mesmo que quisessem, os 78,6 mil moradores de Paranavaí teriam dificuldade para colecionar os mascotes fabricados pela família Barbosa. A cidade não tem nenhum posto Petrobrás (para quem eles produziram animais com os uniformes dos principais países que disputaram a Copa do Mundo) e nem um restaurante da rede Habib’s, que distribuiu 1,7 milhão de "Bibichinhos" fabricados pela B&B.

Petrobrás e Habib’s são apenas dois dos grandes clientes da empresa. A lista inclui a companhia aérea TAM (uma série com animais do Pantanal), as multinacionais Nestlé (cachorrinhos da ração Purina e o solzinho do leite em pó Ninho) e Unilever (o ursinho Fofo, da marca homônima de amaciante). Há até um leão de dois metros que está nos supermercados promovendo um xampu da Wella. Um filão que começa a ser explorado é o de redes de supermercados. Há algumas semanas, três empresas despacharam pedidos de mascotes para Paranavaí.

Indústria, comércio e serviços já foram habilmente convencidos por Barbosa que investir em mascotes é um excelente negócio. É um mecanismo simpático e auto-sustentável de consolidar a marca. Para formar a coleção, o consumidor precisa repetir várias vezes a compra. E ainda paga pelo mascote – geralmente o preço de custo. "Toda criança quer um presente e o mascote é a fórmula barata de se fazer isso", ensina Barbosa, que tem três filhos, já adultos.

O ingresso da desconhecida empresa paranaense no universo das grandes companhias ocorreu em 2003, quando Barbosa convenceu diretores do Habib’s a vender a seus clientes 1,5 milhão de bonequinhos do personagem Snoppy. Hoje, a rede de comida árabe está analisando dois protótipos para a quarta campanha. A B&B chega a produzir 20 mil peças por dia – 520 mil por mês. Foram mais de 5 milhões nos últimos cinco anos.

A empresa não se limita a fabricar os bonecos. Barbosa viaja o país atrás de clientes. Quando fareja um, sua equipe de desenvolvimento cria protótipos de personagens sob medida para aquela empresa, que são enviados para análise. Às vezes, a encomenda dos bichinhos demora três anos para chegar. Quando chega. Mas a fórmula tem dado certo. Foi assim que "ganharam vida" mais de cem personagens concebidos nos escritórios simples da B&B.

Quem visita a fábrica, de 2 mil metros quadrados, tem dificuldade para compreender como saem dali personagens tão fascinantes. Os 200 funcionários diretos se movimentam entre máquinas simples, quase rudimentares, e montanhas de tecido colorido e espuma. Boa parte do processo de costura é terceirizado, por 20 empresas espalhadas por Paraná, São Paulo e até o Maranhão.

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