
A mudança na regulamentação da publicidade ao ar livre para Curitiba deve trazer novas oportunidades de negócio para o mercado publicitário local. O decreto oficial ainda não foi divulgado e precisa ser assinado pelo prefeito Beto Richa o que deve acontecer ainda esta semana mas já gera uma série de especulações. Uma delas é a possível autorização para uso das chamadas empenas (na linguagem da engenharia, paredes externas sem janelas dos edifícios) para exposição de propagandas. A prefeitura confirma que está prevista a possibilidade de uso das empenas, mas a regulamentação ainda precisará ser estudada pela Secretaria de Urbanismo, em conjunto com as entidades do setor.
O especialista em mídia externa Vairan Machado, diretor da Criative Comunicação Visual, diz que a liberação deve trazer para Curitiba uma verba publicitária que era destinada para outra cidades. "É um dinheiro novo que vai circular na cidade, vindo de grandes anunciantes nacionais", diz. "Esse tipo de mídia já é utilizada em outras capitais brasileiras e nas principais metrópoles do mundo é muito comum."
O presidente do Sindicato das Agências de Publicidade do Paraná (Sinapro), Kal Gelbecke, também acredita que a nova possibilidade deve ajudar a movimentar o mercado publicitário local. "É um grande diferencial." Ele alerta, no entanto, que será preciso manter o equilíbrio e o bom senso na utilização dos espaços. "Tenho certeza que a prefeitura terá esse cuidado e que os anúncios nas empenas podem, inclusive, trazer mais segurança para as regiões onde serão instaladas, já que em geral são iluminados."
A diretora de mídia da JWT Curitiba, Anita Bardeli, tem a mesma preocupação. "Trazer uma nova forma de mídia é sempre bom, desde que se respeite as questões de segurança e poluição visual. Não podemos chegar ao ponto que chegou São Paulo (onde esse tipo de mídia foi proibida)." Machado, diretor da Criative, é menos temeroso porque lembra que os espaços a serem utilizados terão que passar pelo crivo do Conselho Municipal de Urbanismo e que haverá um fator regulador. "A iniciativa do município deverá ser bem discutida, para coibir a poluição visual." Machado diz que a legalização deve valer, a princípio, apenas para a região central de Curitiba e que, por isso, o número de pontos possíveis não deve ultrapassar 20 prédios. "O critério é realmente muito apurado."
Ainda não é possível, no entanto, estimar o preço a ser cobrados por estes novos anúncios em Curitiba. Conforme explica a diretora de mídia da JWT, o cálculo deverá levar em consideração algumas variáveis como o potencial de consumo da região onde será instalado, o tamanho do material e o número de possíveis espectadores. "O custo varia muito de cidade para cidade. Mas deve ser estipulado considerando o preço médio do metro quadrado já praticado para outdoors ou front lights. Se não, ninguém vai usar."
Sócio-gerente de uma empresa que fornece estruturas metálicas, a Tecnoplast, o empresário Amintas Borges espera que a nova regulamentação crie novas oportunidades. "Como não sabemos quais serão os pontos, é difícil estimar de quanto será o aumento. Mas imagino que pelos menos uns 20%", diz.
Condomínios
O diretor da Criative lembra que a nova mídia deve gerar renda extra para os condomínios, já que eles poderiam locar suas paredes, se elas respeitarem os critérios estipulados pela prefeitura. Sem detalhes do projeto, o Sindicato da Habitação, que representa os condomínios, preferiu não comentar o projeto e a possibilidade de os edifícios lucrarem com ele.



