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O pessimismo entre os empresários da indústria brasileira aumentou em julho e atingiu 26 dos 29 setores analisados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O avanço da falta de confiança ocorre em meio ao novo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, enquanto apenas três segmentos permaneceram otimistas.
Os dados do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) – Resultados Setoriais mostram que a indústria brasileira segue sem confiança há 19 meses consecutivos. Segundo a CNI, esse cenário leva empresários a adiarem decisões estratégicas e reduzirem o ritmo de expansão dos negócios.
“A falta de confiança pontual faz com que os empresários sejam cautelosos e adiem decisões de aumento da produção, contratações ou investimentos. A falta de confiança prolongada e intensa, como a verificada para muitos dos recortes do ICEI, faz com que o empresário passe a, de fato, reduzir a atividade ou até mesmo interromper planos de investimento e de contratações”, afirmou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
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O aumento do pessimismo coincidiu com a entrada em vigor de novas sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As medidas incluem tarifas de 25% e de 12,5%, justificadas pelo governo norte-americano com alegações de práticas comerciais consideradas desleais, incluindo o sistema Pix, além de supostas falhas no combate ao trabalho forçado.
Embora o índice de confiança tenha avançado em 11 dos 29 setores industriais em relação a junho, nenhum deles conseguiu ultrapassar a marca de 50 pontos, nível que separa confiança de falta de confiança. Em contrapartida, o indicador recuou em 18 segmentos, e os setores de produtos diversos e de impressão e reprodução passaram a integrar o grupo dos pessimistas:
“Mesmo naqueles setores que ainda mostram confiança, o otimismo é moderado. Assim, qualquer mudança no ânimo geral, como aconteceu na passagem de junho para julho, faz com que esses setores passem de confiança moderada para falta de confiança”, explicou Azevedo.
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Pessimismo em números
Veja abaixo quais os setores mais confiantes atualmente:
- Farmacoquímicos e farmacêuticos: 55,4;
- Bebidas: 52,2;
- Perfumaria, limpeza e higiene pessoal: 51,4.
E os setores menos confiantes:
- Biocombustíveis: 37,5;
- Couros e artefatos de couro: 40,7;
- Produtos de borracha: 41,5;
- Madeira: 42,2.
Na análise regional, o Centro-Oeste voltou a registrar confiança ao alcançar 50,4 pontos após alta de 0,7 ponto no ICEI. O Nordeste também permaneceu acima da linha de confiança, com 50,8 pontos, apesar da queda de 0,7 ponto, enquanto o Norte reduziu o pessimismo ao subir para 48,6 pontos.
Já as regiões Sudeste e Sul permaneceram em terreno de falta de confiança. O Sudeste recuou para 45,7 pontos, aprofundando o pessimismo entre os industriais, enquanto o Sul permaneceu praticamente estável no mesmo patamar, também abaixo da linha considerada positiva.
Entre os portes de empresas, as médias indústrias apresentaram a pior evolução em julho. O ICEI desse grupo caiu um ponto, para 46,3 pontos, enquanto as pequenas ficaram em 46,2 pontos e as grandes permaneceram em 48 pontos, reforçando o cenário de cautela que continua predominando na indústria nacional.








