A primeira reunião para discutir o aumento de preços que a Bolívia quer para o gás natural importado pelo Brasil será realizada na próxima quinta-feira, em La Paz. O encontro será entre a equipe técnica da Petrobras e os dirigentes da Yaciamientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). Mas, ao mesmo tempo em que as partes vão discutir um reajuste extraordinário, a partir de 1.º de julho os preços do gás importado da Bolívia terão um aumento da ordem de 10%. O repasse desse reajuste pela Petrobras para as distribuidoras estaduais ficará em torno de 6%, porque a parcela relativa ao frete de transporte do gás não vai aumentar.

O aumento de preços em julho é trimestral e está previsto no contrato de compra do gás, assinado em 1999.

Pedido de reunião ocorre 2 meses após nacionalização

O diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, garantiu ao GLOBO que a companhia brasileira não vai aceitar qualquer aumento de preços fora daquele previsto no contrato.

— Não concordamos com qualquer novo aumento, não existem argumentos que justifiquem isso — afirmou Cerveró.

Apesar de o presidente da Bolívia, Evo Morales, ter decretado a nacionalização das reservas de petróleo e gás e manifestado a intenção de reajustar os preços de venda do gás natural para o Brasil há quase dois meses, foi somente na semana passada que a Petrobras recebeu uma carta da YPFB solicitando a reunião para discutir preços.

Cerveró disse também que a Petrobras está pedindo ressarcimento pelos investimentos realizados na área de distribuição, principalmente na melhoria dos postos revendedores e na instalação da bandeira BR neles. Só em distribuição, os investimentos foram da ordem de US$ 2 milhões. A Petrobras vai sair da área de distribuição de combustíveis na Bolívia em 1 de julho, porque esse setor foi reestatizado. O diretor da empresa foi categórico:

— Eles têm de nos indenizar pelos gastos que fizemos na melhoria dos postos e colocação da nossa marca.

São Paulo e Sul são mais prejudicados com reajuste

De acordo com outro executivo da estatal brasileira, o reajuste de 10%, a partir de 1 de julho, deve elevar os preços do gás de US$ 3,40 por milhão de BTUs (unidade térmica internacional usada para quantificar o produto) para US$ 3,75 por milhão de BTUs. Existe ainda uma tarifa de transporte de US$ 1,70 por milhão de BTUs, que não aumentará. Por isso, explicou o executivo, o repasse da Petrobras para as distribuidoras estaduais deverá ficar em torno de 6%. Os percentuais exatos do reajuste somente serão fixados no fim deste mês.

O estado de São Paulo e os da Região Sul do país serão os mais atingidos pelo reajuste de preços do gás boliviano. São Paulo é o mais afetado pois, do total de gás que o estado consome, cerca de 70% vêm da Bolívia. O Estado do Rio não será afetado porque o gás que consome é produzido na Bacia de Campos.

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