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A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar os negócios entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master descobertos durante a apuração da Operação Compliance Zero, deflagrada no ano passado e que levou o banqueiro Daniel Vorcardo, dono do banco privado liquidado, à prisão. A autoridade pretende apurar a suspeita de gestão fraudulenta na venda de carteiras de crédito sem lastro ao banco estatal do Distrito Federal por R$ 12,2 bilhões.
De acordo com informações apuradas inicialmente pelo jornal O Globo e confirmadas pela Gazeta do Povo nesta terça (3), a abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de informações e documentos fornecidos pela própria diretoria atual do BRB. A suspeita é de que essas operações tenham ocorrido com falhas graves de análise e governança interna.
Em uma nota divulgada mais cedo, o BRB informou que “encontrou achados relevantes” na primeira fase do relatório preliminar elaborado por uma auditoria independente contratada pela própria instituição. O banco destacou que decidiu compartilhar essas informações com as autoridades para colaborar com as investigações.
“Prezando pela transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes, a fim de confirmar eventuais atos ilícitos, o Banco BRB informa que entregou o relatório à Polícia Federal (PF), na última quinta-feira, 29/01/2026. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem, 02/02/2026, ao Banco Central”, afirmou (veja na íntegra mais abaixo).
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Mesmo diante do rombo potencial, o BRB afirma que segue financeiramente estável e que conta com o apoio do acionista controlador – o governo do Distrito Federal. Em uma outra nota divulgada em janeiro, o banco informou que a administração distrital sinalizou a possibilidade de um “aporte direto” para cobrir eventuais prejuízos decorrentes das transações questionadas.
O BRB apresentará, em março, seu balanço financeiro detalhando o impacto real das negociações suspeitas. A expectativa é que o documento traga dados mais precisos sobre o tamanho do prejuízo causado pelas carteiras consideradas fraudulentas.
Ainda de acordo com a nota divulgada nesta manhã, o BRB afirma que vem adotando “inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais” relacionadas a fundos de investimento, garantias e carteiras de crédito adquiridas. Parte dessas ações corre em sigilo e deve ser reforçada para proteger os interesses do banco público.
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Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar uma fatia relevante do Banco Master, em uma operação apoiada pelo governo do Distrito Federal, mas barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal investiga se a aquisição das carteiras supostamente fraudulentas ocorreu por falhas internas nos processos de análise e aprovação.
Em novembro, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que acabou demitido definitivamente. Além das autoridades, a nova diretoria do banco e a auditoria independente seguem apurando os fatos, ainda sem conclusões finais divulgadas.
Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou ter se reunido ao menos quatro vezes, entre 2024 e 2025, com Daniel Vorcaro. Ele negou que tenha tratado da compra do banco nessas reuniões.
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Veja abaixo o comunicado completo do BRB sobre a auditoria interna e documentos encaminhados à Polícia Federal:
O BRB informa que encontrou achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco junto à Machado & Meyer com suporte técnico da Kroll.
Prezando pela transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes, a fim de confirmar eventuais atos ilícitos, o Banco BRB informa que entregou o relatório à Polícia Federal (PF), na última quinta-feira, 29/01/2026. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem, 02/02/2026, ao Banco Central.
Dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB, medidas estas que correm, parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco.
Por fim, o BRB ressalta que segue sólido e reafirma seu compromisso com a preservação de seu patrimônio, de seus clientes e do desenvolvimento econômico e social de Brasília e região.












