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Geração de riquezas

PIB cresce 6% no semestre e “garante” 5% no ano

Investimentos, agroindústria e gastos públicos – puxados pelas eleições – ajudaram a impulsionar o crescimento econômico no segundo trimestre

Crescimento do PIB no semestre |
Crescimento do PIB no semestre (Foto: )
Variação das taxas de investimento |

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Variação das taxas de investimento

Soma das riquezas |

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Soma das riquezas

Puxado por investimentos recordes, pela agropecuária e por uma forte aceleração dos gastos públicos, o Produto Interno Bruto (PIB) – que representa o total de riquezas produzidas no país – do primeiro semestre de 2008 surpreendeu positivamente e cresceu 6% sobre igual período do ano passado. O resultado levou a uma revisão geral de expectativas, apesar da tendência de alta nos juros nos próximos meses, e praticamente garante um crescimento superior a 5% neste ano.

A notícia, dada ontem de manhã pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi logo depois celebrada pelo seu colega da Fazenda, Guido Mantega, que convocou uma entrevista coletiva para dizer que agora espera uma taxa de 5,5% ao ano, acima da estimativa oficial, de 5%. Esbanjando otimismo, Mantega afirmou que os brasileiros terão um dos melhores natais da história. "Teremos um excelente Natal para a família brasileira", disse o ministro da Fazenda, para quem este crescimento vem acompanhado da desaceleração da inflação.

De fato, para crescer abaixo de 5%, a economia nacional teria de se desacelerar em mais de 30% no segundo semestre, tradicionalmente o período mais "quente" do ano.

Como já ocorre há vários trimestres, a composição do crescimento da economia brasileira mostrou-se bastante equilibrada e promissora. Os investimentos do setor produtivo, que garantem a oferta futura de bens e serviços e reduzem pressões inflacionárias, foram novamente o carro-chefe do crescimento: subiram 16,2% no trimestre e atingiram o maior patamar da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996.

Foi o terceiro semestre consecutivo de alta nos investimentos – há cinco trimestres a taxa supera os 14%. Os investimentos em máquinas e equipamentos voltaram a puxar também as importações, que cresceram 25,8% no trimestre (as exportações subiram 5,1%).

Peso do Estado

O que destoou no resultado apresentado ontem foram os gastos públicos, que têm peso específico de 15% na composição do PIB (como comparação, a agricultura pesa um terço disso). Seguindo a tendência de alta do primeiro trimestre, o consumo da administração pública aumentou 5,3% no segundo trimestre (sobre igual período de 2007).

Para Rebeca Palis, gerente de contas do IBGE, a alta reflete o período eleitoral e a contratação antecipada de funcionários públicos, uma vez que há uma proibição para novas admissões três meses antes da eleição. "As despesas dos governos ajudaram a elevar o PIB", disse. Rebeca ponderou ainda que o resultado do segundo trimestre não foi afetado pelo início, em abril, do ciclo de alta dos juros do Banco Central. "Isso leva um tempo para começar a afetar a economia."

Outro destaque do PIB foi a agricultura, com alta de 7,1% (a produção de café subiu 27,7% e a de milho, 12,8%). Já a indústria cresceu 5,7%, puxada principalmente por uma alta de 9,9% na construção civil. "O crescimento veio forte e com uma boa tendência de aumento da capacidade produtiva, o que traz um bom cenário futuro para o comportamento da inflação", afirma Marcela Prada, da consultoria Tendências.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o resultado do trimestre assegura um bom crescimento em 2008, mas prevê dificuldades para o futuro próximo. "O ano que vem será mais complicado, com juros mais altos, despesas públicas maiores e crescimento menor", diz.

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