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Ajuda de US$ 700 bi

Plano anticrise enfrenta resistência após reunião na Casa Branca

Líderes do Congresso norte-americano chegaram a dizer, na manhã de ontem, que um acordo havia sido alcançado e que o pacote de socorro a instituições financeiras poderia ser votado hoje. Depois do encontro no fim da tarde, tudo indicava que impasses

Reunião com George W. Bush, da qual participaram John McCain e Barack Obama, serviria para apressar aprovação do pacote anticrise, mas acabou frustrando expectativas. | Jim Young/Reuters
Reunião com George W. Bush, da qual participaram John McCain e Barack Obama, serviria para apressar aprovação do pacote anticrise, mas acabou frustrando expectativas. (Foto: Jim Young/Reuters)

Após um dia em que imperou no mercado internacional uma boa dose de otimismo, com os congressistas norte-americanos sinalizando que aprovariam ainda hoje o pacote de salvamento de instituições financeiras e com as bolsas subindo, o mundo econômico deve voltar a sofrer momentos de alta tensão. No início da noite de ontem, parlamentares dos Estados Unidos mudaram o discurso e passaram a dizer que ainda têm muitos temas a resolver antes de chegar a um acordo final sobre o plano de socorro, que envolve US$ 700 bilhões. As declarações desanimadoras foram dadas por democratas e republicanos que participaram da reunião convocada pelo presidente George W. Bush.

"Tenho esperanças de que chegaremos a um acordo", declarou o senador Christopher Dodd, que preside a comissão de assuntos bancários, responsável por analisar a proposta enviada pelo Departamento de Tesouro. A afirmação reticente veio horas depois de o mesmo senador ter anunciado que os poderes Executivo e Legislativo haviam selado um acordo e que o projeto poderia ser votado hoje. De acordo com informações veiculadas pelo "The New York Times", Dodd saiu da Casa Branca reclamando que o encontro com Bush teria sido semelhante "a uma tentativa de salvamento da candidatura de John McCain e não a um plano para recuperar o sistema financeiro". "Não é nada bom ser distraído por três horas de teatro político", disse Dodd a jornalistas norte-americanos.

Culpa de McCain?

A verdade é que quando o avião de John McCain tocou o solo de Washington, as lideranças do Congresso já tinham chegado a um acordo básico sobre o plano do governo. Mas, quando a reunião na Casa Branca acabou, ninguém sabia o que o senador republicano e candidato à Presidência dos EUA pensava. "Sinceramente, não sei qual posição McCain defende", desabafou Dodd.

A frustração seria repetida logo depois por Barack Obama, que falou brevemente à emissora CNN ao deixar a residência presidencial. "Não faz bem a ninguém que a política eleitoral tenha sido trazida para o meio da negociação do plano", disse o candidato democrata.

Mesmo entre companheiros de partido do senador, o clima era de estresse. Alguns observadores dizem que McCain estaria se posicionando como os deputados mais conservadores do Partido Republicano, que são absolutamente contra o despejo de dinheiro público na iniciativa privada. Esses parlamentares preferem um programa que ofereça um seguro para títulos lastreados em hipotecas, além da flexibilização de regras para que fundos possam comprar parte de bancos em crise e, assim, recapitalizá-los. "Se nós não conseguirmos progredir por conta de uma pessoa, essa pessoa será John McCain", disse o democrata Harry Reid, líder da maioria no Senado.

Em entrevista à emissora CBS, McCain disse que estava otimista "no longo prazo". "Vamos chegar a um acordo que tenha a maioria dos meus colegas do meu lado do corredor assim como a maioria do outro lado", disse.

Precipitação

Depois de uma reunião no Congresso, pela manhã, foi anunciado que democratas e republicanos teriam chegado a um acordo. Eles teriam concordado em apoiar a proposta inicial do secretário de Tesouro, Henry Paulson, desde que algumas emendas fossem incluídas. As principais eram a implementação de dois órgãos de supervisão do pacote, um plano de ajuda a mutuários em dificuldades, um limite de remuneração para executivos socorridos pelo governo e a participação acionária do governo nos bancos que pedissem ajuda.

Também havia sido acordado que a liberação dos recursos seria feita em parcelas. O plano em estudo previa a liberação de US$ 250 bilhões imediatamente, mais US$ 100 bilhões de acordo com ordens do presidente Bush e o restante teria de ser aprovado pelo Congresso.

Esperanças

O governo esperava que o plano fosse aprovado hoje e sem modificações. "Precisamos aprovar essa lei de forma limpa e rápida, e evitar atrasá-la com medidas que não são relacionadas ao projeto e não têm apoio amplo", havia dito o secretário do Tesouro, Henry Paulson.

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