
O mercado de convênios de saúde odontológicos cresceu 35,7% em 12 meses no Paraná, segundo os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O avanço é praticamente o dobro da média nacional, que teve alta de 18,2% entre os meses de setembro de 2008 e de 2009. Quando isoladas as três regiões metropolitanas do estado Curitiba, Londrina e Maringá , o crescimento dos beneficiados por esse tipo de convênio chega a 45%.
Apesar da rápida expansão, o mercado ainda é pequeno quando comparado com o tamanho dos convênios médicos tradicionais. De cada quatro paranaenses cobertos com planos médicos, apenas um possui também convênio odontológico. Mas o crescimento desse segmento é uma tendência, afirma o secretário do Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), Roberto Cavali. "O uso de convênios é um caminho irreversível para a odontologia, nós estamos seguindo os mesmos passos que a medicina deu anos atrás", diz. Ele também ressalta a maior adesão dos dentistas aos convênios.
Análise
O crescimento vertiginoso do ano passado é típico de um mercado ainda incipiente, que por enquanto cobre apenas procedimentos mais simples, segundo Cavali. Uma consequência direta disso são os preços mais acessíveis o valor cobrado pelos convênios odontológicos raramente supera 10% do preço de um plano de saúde. "Dentro deste valor, muitas empresas também passaram a oferecer planos odontológicos na sua carteira de benefícios", diz. Mais de 84% dos beneficiários de cobertura odontológica têm contratos corporativos, que derrubam o preço dos convênios pela metade.
Em Maringá, enquanto a oferta de planos médicos beira a saturação, os serviços odontológicos também mostram franca expansão. Entre os anos de 2005 e 2008, o número de clientes atendidos na cidade e região cresceu regularmente a taxas próximas de 15%. Ainda assim, na cidade há quase 20 vezes mais pessoas nos planos médicos do que nos odontológicos, segundo a ANS.
O gerente da Uniodonto Maringá, Darci Arruda, acredita que, para reduzir essa diferença, será preciso modificar a visão que os consumidores têm do tratamento bucal. "As pessoas fazem plano médico para se prevenir: se acontecer algum problema, ela tem o tratamento garantido. É como se fosse um seguro. Já no plano odontológico, o espírito é mais emergencial. As pessoas só procuram o dentista quando já estão com problemas."
A aumento da procura também foi sentido em Londrina, que ampliou a base de clientes em 25%. Na avaliação da coordenadora do CRO para a macrorregião, Lázara Regina de Rezende, a explicação está no aumento do poder aquisitivo das classes sociais B e C, que passaram a procurar alternativas ao sistema público. "A região vive uma explosão de pessoas com planos de saúde como nunca se viu. A parte de odontologia mostra que também estão se preocupando mais com a saúde bucal."




