
Ponta Grossa O sistema de plantio direto na palha (PDP), que começou a ser adotado nos anos 70, atingiu 5 milhões de hectares no Paraná mais de 80% da área destinada à produção de grãos no estado , segundo avaliação da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. A informação foi divulgada no simpósio Gestão Sustentável do Agronegócio, que termina hoje, em Ponta Grossa. Cerca de 450 pessoas acompanham há dois dias as discussões, que se concentram no aperfeiçoamento do PDP.
"A tendência é atingirmos 90% das lavouras", disse o presidente da federação, Franke Dijkstra. Em sua avaliação, boa parte das áreas convertidas precisa de melhoramentos. Para isso, será necessário investir mais na qualificação do produtor e dos trabalhadores rurais, avaliou. Dijkstra considera que o plantio direto se tornou mais complexo à medida que foi implantado em diferentes tipos de solo e culturas.
"Atingimos 80% da área de grãos no Paraná e mais de 50% no Brasil (26 milhões de hectares)", disse Manoel Henrique Pereira, que presidiu a federação por quatro gestões. Em sua avaliação, o estado se tornou reduto do PDP e hoje "tem a melhor tecnologia de produção". A expansão no Paraná, segundo Pereira, está relacionada à conversão de pequenas e médias propriedades na última década.
O simpósio celebra os 35 anos do PDP, contados a partir da adoção do sistema pelo produtor Herbert Bartz, de Rolândia (Norte do estado), em 1972. A experiência ficou isolada por cerca de uma década e se difundiu depois que produtores da região de Ponta Grossa (Centro-Sul) aderiram à semeadura sobre a palha da cultura anterior. Nas duas regiões, a idéia era reduzir a erosão que ocorria com as chuvas depois da passagem dos arados. Os produtores concluíram que a palha torna o solo mais potente e conserva a umidade. Na região de Ponta Grossa, a concentração de material orgânico teria passado de 1,5% para a média de 4% a 5% nos últimos 30 anos.
Os participantes do simpósio estão conhecendo resultados do PDP em regiões como o Centro-Oeste. O agrônomo Jônadan Ma relatou que ampliou em 40% a renda de um lote de 153 hectares do Grupo Ma Shou Tão, em Conquista (MG), há três safras. Ele adota também a integração lavoura-pecuária. Neste inverno, mantém 897 cabeças de gado na área. "A integração é um adicional ao sistema de plantio direto, garante a palhada necessária para melhorar a produção de soja."
João Paulo Boni, da Agrícola Verde, de Cristalina (GO), contou que o plantio direto permite que a produção de milho durante os 12 meses do ano. Logo atrás das colheitadeiras, máquinas plantam a safra seguinte, quando o solo apresenta as condições necessárias. No sistema convencional, isso seria impossível, não só pelas deficiências do solo, mas pelo tempo gasto no controle das ervas daninhas com uso de maquinário.
Novos temas ganham espaço nas discussões do plantio direto pela amplitude que o sistema ganhou, disse o agrônomo Bady Curi, um dos organizadores do simpósio. Ele afirma que a federação vai tentar criar um selo de qualidade nos próximos anos, a partir de parâmetros que começam a ser debatidos. "Depois de uma avaliação, poderemos saber se uma propriedade é 80% ou 100% sustentável, por exemplo", explicou. A condição básica será a adoção do PDP.



