Uma quadrilha que agia em cinco estados e no Distrito Federal falsificando selos de garantia para extintores de incêndio, a maioria para uso em automóveis, teve seis integrantes presos ontem cinco em São Paulo (SP) e um Curitiba durante a Operação Olho de Boi, da Polícia Federal. Entre os detidos na capital paulista, dois serão transferidos para Curitiba a pedido da Justiça e ficarão recolhidos numa cela da Polícia Federal. A PF investigava o caso há oito meses. Os nomes dos acusados não foram divulgados.
O prejuízo provocado pela quadrilha com suas ações em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás e no Distrito Federal ainda não foi calculado. Segundo a assessoria da PF, esse levantamento deverá levar alguns dias, pois dependerá do recolhimento dos extintores e do cálculo do que ficou retido na operação. Cada selo custaria menos de R$ 1, ao passo que os extintores reaproveitados têm valor médio de R$ 15 a R$ 20 nos postos de gasolina.
Segundo o delegado Igor Romário de Paulo, da Delegacia Contra Crimes Fazendários, 11 empresas também foram autuadas, três delas no Paraná. "Além da questão de falsificação, o maior perigo era para o usuário. No caso de uma emergência, ele não conseguiria utilizar seu extintor."
A suspeita das fraudes foi levantada por um grupo de fiscais do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), do Ministério do Desen-volvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que percebeu alterações nos selos dos extintores durante vistorias realizadas a diferentes locais.
Para o gerente regional do Inmetro no Paraná, Roberto Tamari, o usuário deve ficar atento e tentar lembrar se o local onde comprou lhe deu nota fiscal. "Seria uma forma de garantir o bom funcionamento do equipamento", afirmou. Tamari disse também que todas as situações de irregularidades encontradas pela equipe do Inmetro foram levadas à PF, que então deu início às investigações. Do total de 40 mandados de buscas, 33 foram contabilizados e também envolveram ações nos municípios paranaenses de Dois Vizinhos, Nova Esperança e Engenheiro Beltrão.
Os detidos responderão pelos crimes de falsificação de selo ou sinal público, falsificação de documento público, falsidade ideológica, formação de quadrilha e corrupção ativa, que podem gerar penas de seis a 20 anos de prisão, e no caso de corrupção ativa de dois a 12 anos.
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