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Para entender

Por que o fim da escala 6×1 gera preocupação na economia do Brasil?

Estudos apontam que eventual fim da escala 6"1 pode trazer danos mais severos que os da recessão econômica no Brasil, entre 2014 e 2016 (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Estudos de entidades empresariais e centros de pesquisa indicam que o fim da escala 6x1 pode gerar prejuízos de até 16% do PIB e eliminar centenas de milhares de empregos formais. A proposta, prioritária para o governo em 2026, eleva o custo do trabalho por reduzir a jornada sem cortar salários.

Qual é o impacto previsto para o PIB nacional?

As projeções são alarmantes e variam conforme a jornada adotada. Se o limite for de 36 horas semanais, a perda econômica imediata pode chegar a 7,4%, valor equivalente à recessão profunda vivida pelo Brasil entre 2014 e 2016. Em cenários mais pessimistas calculados por federações industriais, o impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) — que é a soma de todas as riquezas produzidas no país — pode chegar a 16%, totalizando quase R$ 2,9 trilhões.

Como a mudança afeta a criação e manutenção de empregos?

O mercado de trabalho deve sentir um forte aperto. Estimativas sugerem a perda de 640 mil a 1,2 milhão de vagas com carteira assinada. O problema principal é que, ao reduzir as horas de trabalho mantendo o mesmo salário mensal, o valor pago por cada hora trabalhada sobe automaticamente. Para compensar esse custo extra, muitas empresas podem interromper contratações, demitir funcionários ou repassar o gasto para os preços dos produtos, o que gera inflação.

Quais setores da economia seriam os mais prejudicados?

Os setores que mais utilizam mão de obra de forma intensiva estão no topo da lista de riscos, como o comércio, o setor de serviços e os transportes. Nestas áreas, quase 90% dos funcionários atuam hoje no modelo 6x1. Micro e pequenas empresas também correm maior risco de falência por terem menos fôlego financeiro para reorganizar suas operações ou investir em tecnologias de automação para substituir o trabalho humano.

Existe algum setor que conseguiria absorver os custos da nova jornada?

O agronegócio aparece como uma rara exceção nos estudos. Graças aos grandes saltos de produtividade e eficiência tecnológica acumulados nos últimos anos, o setor rural teria maior capacidade de lidar com o aumento do custo do trabalho sem sofrer danos severos. No entanto, em outras atividades como varejo e construção civil, onde a presença física do trabalhador é essencial por mais tempo, a adaptação é considerada muito difícil e custosa.

Há algum estudo com visão positiva sobre a proposta?

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo federal, apresenta uma visão divergente. O órgão argumenta que a economia brasileira teria fôlego para absorver a mudança, de forma semelhante ao que ocorre nos reajustes anuais do salário mínimo. Para o instituto, o possível impacto negativo no PIB deve ser pesado contra os benefícios sociais, como o aumento da qualidade de vida, melhor saúde da população e mais tempo para o convívio familiar.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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