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Bernt Entschev

Bajulação e constrangimento

A personagem da coluna deste domingo é familiar a muita gente e está presente em quase todas as organizações do País. Ela é popularmente conhecida como "puxa-saco". A seguir, você acompanha a história de Dayse, que confundiu competência com bajulação. Boa leitura!

Formada em Engenharia Civil, Dayse estava desempregada havia algum tempo. Com um perfil proativo e muita disposição, ela não se conformava com a falta de oportunidades no mercado. Mas, mesmo um pouco desanimada, jamais desistiu de batalhar por um emprego. A recompensa veio após um ano de busca. Dayse, finalmente, conseguiu uma vaga em uma construtora de grande porte.

A profissional, agradecida pela chance de mostrar suas qualidades e sua competência, decidiu que faria tudo para que a empresa sentisse orgulho dela. Então, a engenheira, desde o primeiro dia, mostrou-se extremamente prestativa. Sempre que alguém precisava de algo, levantava depressa e oferecia-se para ajudar. Quando algum colega comentava que sentia sede ou fome, Dayse dispunha-se a ir comprar comida ou a preparar um café.

Aos poucos, a equipe foi se acomodando com a postura da engenheira. Quando alguém do grupo queria algo, pedia logo a ela. Assim, além de executar suas funções, Dayse tornou-se a "responsável" por passar o café, tirar cópias de plantas e documentos, buscar lanches para os colegas, entre outros mimos. Mas isso não a perturbava... Pelo contrário! Muitas vezes, ela surpreendia o pessoal do escritório com bolos e doces caseiros. Em outras ocasiões, Dayse distribuía pequenos presentinhos. Na maioria das circunstâncias, esses agrados vinham acompanhados de dizeres positivos e muitos elogios.

Inicialmente, as pessoas ficaram encantadas com as gentilezas da engenheira. Mas, com o passar do tempo, alguns colegas começaram a se incomodar com tamanha adulação. Diziam, na ausência de Dayse, que se sentiam em dívida com ela, uma vez que ela os havia presenteado tantas vezes. Mas como não tinham muita intimidade com a moça, os outros profissionais não sabiam se deveriam começar a agradá-la da mesma forma ou se deveriam dispensar as cortesias.

E, assim, um clima estranho se formou na construtora. Dayse, de profissional gentil, tornou-se uma verdadeira puxa-saco aos olhos da equipe e passou a ser ignorada pelos colegas mais próximos, que pararam, até mesmo, de agradecer os mimos diários. Dayse, por sua vez, percebeu que suas gentilezas não eram bem-vindas como antes. Pensou, então, que a melhor estratégia seria se fixar, somente, em seu chefe. Afinal, era a ele que devia a oportunidade de emprego.

De um dia para o outro, a engenheira deixou de cortejar os colegas e começou a bajular, de forma mais direta, seu superior. Para não causar ciúmes entre o grupo, Dayse passou a deixar presentes na residência de seu chefe. Eram chocolates, livros, CDs, geléias e o que mais pudesse pensar. Como se isso não fosse suficiente, a engenheira, durante o expediente, concordava com tudo o que ele dizia e complementava com um elogio rasgado.

Dayse, sem perceber, havia se tornado uma bajuladora profissional. Embora executasse suas funções com qualidade e competência, sua postura foi a responsável por sua demissão, pouco tempo depois. Seu chefe esclareceu a decisão, explicando-lhe que ficara constrangido com tantos elogios e presentes. Ele, em vez de se sentir admirado, sentiu-se cobrado, em dívida com a profissional.

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No trabalho e na vida pessoal, não é preciso agradar sempre a todos - sobretudo se a intenção embutida nas gentilezas for conseguir uma promoção ou obter destaque. Um bom profissional deve saber a diferença entre relacionamento e bajulação, pois as razões pelas quais é contratado não se referem a mimos ou presentes, e sim às habilidades técnicas, aos conhecimentos teóricos e ao alcance dos resultados esperados.

O profissional deve ter em mente que um bom clima organizacional é construído com maturidade e respeito, e que a intimidade é conquistada por outros méritos. Por isso, se você já sentiu o ímpeto de bajular o chefe ou um colega de trabalho, lembre que o puxa-saco nunca é bem-visto pelas organizações. Além disso, os motivos de sua permanência na empresa ou de uma promoção devem ser conseqüência de suas habilidades e competências – jamais de presentes enviados.

SAIBA MAIS...Capacitação de jovens pedreiros

O Instituto Votorantim, em parceria com a Votorantim Cimentos, o Senai, o Rotary, o Sinduscon e a Fecomac, mantém desde 2004 o projeto O Futuro em Nossas Mãos, cujo objetivo é formar jovens pedreiros dando a eles a chance de desenvolver habilidades técnicas e de gestão.

O programa é totalmente gratuito e destinado a indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 16 e 24 anos, oriundos de famílias de baixa renda e que já tenham concluído a 4ª série do ensino fundamental. Para participar, não é necessário conhecimento prévio em construção civil.

Os alunos assistem a 150 horas de aulas e realizam uma tarefa prática - uma obra social, que varia de acordo com as necessidades das entidades beneficiadas. São obras comuns de construção civil, como salas, banheiros, barracões, muros, trabalhos de ampliação ou reparos em estruturas.

No final do curso, os formandos recebem um conjunto de ferramentas para facilitar sua inserção no mercado de trabalho. Ao todo, o programa já atendeu 913 jovens, que realizaram 48 obras em benefício de 38 entidades de 13 municípios paranaenses. Recentemente, o projeto também foi lançado em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde estão sendo organizadas as primeiras turmas.

Bernt Entschev é presidente do Grupo De Bernt. Empresário com mais de 36 anos de experiência junto a empresas nacionais e internacionais. Fundador e presidente do grupo De Bernt, formado pelas empresas: De Bernt Entschev Human Capital, AIMS International Management Search e RH Center Gestão de Pessoas. Foi presidente da Manasa, empresa paranaense do segmento madeireiro de capital aberto, no período de 1991 a 1992, e executivo da Souza Cruz, no período de 1974 a 1986

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