A forte queda das bolsas americanas impôs uma perda expressiva da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quarta-feira. O movimento de queda, que deveria ser uma simples realização de lucros, ganhou força com o temor de aumento de juros nos Estados Unidos e uma realocação de recursos internacionais. O Índice Bovespa fechou em queda de 3,58%, aos 30.163 pontos. O volume financeiro foi de R$ 2,124 bilhões.
Os índices americanos Dow Jones e Nasdaq fecharam em queda de 1,19% e 1,70%, respectivamente. Com indicadores econômicos mais fortes, o mercado local teme que o aperto monetário americano se prolongue ou ganhe mais força. Como conseqüência, haveria uma migração de recursos aplicados nos países emergentes para os papéis americanos.
No terceiro dia de intervenções do Banco Central o dólar fechou com uma discreta alta de 0,31%, cotado a R$ 2,266 na compra e R$ 2,268 na venda.O risco-país brasileiro, medido pelo EMBI+ Brasil, fechou com 365 pontos centesimais nesta quarta-feira. Em relação ao fechamento anterior, o indicador calculado pelo banco JP Morgan subiu 12 pontos. O risco-país argentino fechou aos 363 pontos centesimais, com alta de 9 pontos.
O EMBI+ é calculado com base em uma cesta de títulos da dívida externa de cada país emergente. Quanto maiores os juros pagos pelos títulos de um país, maior o seu risco-país. Nesta quarta-feira, um forte movimento de venda atingiu os papéis emergentes e principalmente os brasileiros, que concentram maior liquidez. Apesar de a Argentina estar com patamar de risco equivalente ao do Brasil, seus papéis têm liquidez menor, devido à moratória do país.
A queda que atinge o mercado de títulos desde terça-feira acontece com o aumento das especulações sobre uma alta mais forte dos juros americanos. Com isso, os fundos de investimento internacional promoveram uma realocação de recursos.
O Global 40, bônus global de 40 anos e título brasileiro mais negociado, caía 0,82% no final da tarde, cotado a 120,75% do seu valor de face. O A-Bond, título brasileiro emitido em reais, recuava 0,0,83%, a 104% do seu valor. O C-Bond, que está sendo recolhido do mercado internacional, recuava 0,12% e valia 100,13% do seu preço.
O cenário interno brasileiro continuou bastante positivo, semmotivos para desencadear uma correção tão forte. A única notícia negativa do dia foi a aceleração do IPC-Fipe, que passou de 0,20% em agosto para 0,44% em setembro, puxado pelos combustíveis.
- Já há uma alocação de recursos, com o temor de que um aumento maior nos juros americanos leve à redução do fluxo de recursos para os emergentes - disse Júlio Martins, gestor do banco Prósper.
O analista explica que os mercados emergentes vêm registrando fortes ganhos e grande liquidez, com destaque para o Brasil. No momento de realizar lucros e migrar para outros mercados, os investidores vão buscar nos emergentes os recursos.
Com a queda desta quarta-feira, a Bovespa já acumula queda de 4,50% em outubro. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores quedas ficaram com Bradespar PN (-6,50%) e CSN ON (-5,88%).
CÂMBIO O Banco Central anunciou a compra de dólares no final da manhã, levando a cotação de venda à máxima de R$ 2,279 (+0,80%). A constatação de que o BC havia comprado uma quantia simbólica de recursos fez a pressão arrefecer com relativa rapidez, conservando uma pequena alta até o fechamento. Na véspera, o BC havia comprado cerca de US$ 300 milhões, o que puxou o dólar com força.
- O BC vem agindo conforme o movimento de entrada de recursos ao país. Estamos em início de mês e o volume de ingressos foi forte nos últimos dias, o que justifica a entrada do BC para evitar uma queda muito forte - disse um gerente de mesa de câmbio.
Oficialmente, o BC informa que adquire recursos no mercado para recompor reservas cambiais. Mas o mercado entende que a instituição busca evitar uma depreciação exagerada do câmbio, e um prejuízo aos exportadores. Ao mesmo tempo, o dólar em baixa é um grande aliado do governo na busca pelas metas de inflação.
Para Sidnei Moura Nehme, diretor da corretora NGO, o mercado enfrenta alguma dificuldade em assimilar a presença do BC, que a cada dia compra volumes diferentes de recursos. Para ele, a aquisição de dólares pelo BC pode ter um efeito temporário, levando o dólar a cair novamente.
JUROS As projeções dos juros negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) andaram na contramão do restante do mercado e fecharam perto da estabilidade, com leve indicação de baixa. O principal destaque do dia foi o IPC-Fipe de setembro, que apontou inflação de 0,44%, contra 0,20% em agosto. Segundo analistas, o mercado continua a apostar em um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, a não ser que o IGP-DI, a ser divulgado na quinta-feira, também mostre aceleração da inflação.
O Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2006 fechou com taxa de 18,93% ao ano, contra 19,98% do fechamento de terça-feira. O DI de julho teve a taxa reduzida de 18,14% para 18,06% anuais. A taxa do DI de janeiro de 2007 caiu de 17,66% para 17,61% anuais.
PARALELOO dólar paralelo fechou em alta de 0,40% nesta quarta-feira, cotado a R$ 2,43 na compra e R$ 2,53 na venda. O dólar turismo avançou 0,86% e terminou o dia a R$ 2,21 e R$ 2,35 na compra e venda, respectivamente.



