Quando a pergunta sobre casamento e filhos surge numa entrevista de emprego, a maior parte das mulheres treme. Segundo especialistas em recursos humanos, não existe resposta ideal e o que as empresas esperam vai depender do perfil da organização e da função pretendida. Mas, ainda hoje, as solteiras levam uma pequena vantagem.
Segundo Maria Helena Toledo, sócia da empresa Clave Consultoria, especializada em recrutamento e seleção, o fato de ser casada e ter filhos pode não influenciar diretamente no decorrer do processo seletivo, mas costuma ser levado em conta na decisão final da empresa.
- Esse não é um critério explícito nem vale para todas as funções. Mas, se houver dois ou mais candidatos com igualdade de experiência, formação e capacidade técnica, as empresas tendem a optar por mulheres solteiras ou até homens por acreditar numa disponibilidade maior para o trabalho.
Para a especialista, se por um lado as solteiras podem dedicar mais horas à vida profissional sem culpa, mulheres casadas com famílias formadas oferecem maior comprometimento, maturidade e generosidade no dia-a-dia.Elas têm diferentes habilidades
Maritza Krauss, que conduz o escritório de advocacia Krauss&Yakoyama e é gerente jurídica da empresa especializada em recursos humanos Personal Service, ganhou dois filhos - além do que já tinha de sua primeira união - quando decidiu casar-se novamente. Ela acredita que o acúmulo de jornadas e a experiência de administrar o próprio lar acabam se traduzindo numa maior habilidade para delegar tarefas e controlar processos. E conta que, em sua trajetória, sofreu com a falta de compreensão no trabalho quando precisava sair mais cedo ou adiar algum compromisso por conta de reuniões escolares, por exemplo.
- Hoje, controlo tudo pelo telefone. O fundamental é ter uma boa relação de confiança com os filhos, com a equipe e com o parceiro, para dividir as responsabilidades - ensina Maritza Krauss.
Para Vera Vasconcellos, diretora da filial da Career Center no Rio de Janeiro, empresa especializada em gestão de carreira, as empresas que exigem disponibilidade para o trabalho no estilo "24X7" (ou seja por 24 horas, sete dias na semana) optam por mulheres independentes, característica que vai além do estado civil ou da maternidade, acredita.
- As empresas de perfil mais veloz buscam as profissionais mais competentes independentemente de terem filhos ou não. Não cabe à organização avaliar a habilidade da funcionária gerenciar as tarefas domésticas se ela entrega os resultados esperados. Além disso, a maternidade traz interferências na vida profissional apenas por um período, não determina uma carreira de 30 anos. Cabe às mulheres exercitarem cada vez mais sua capacidade multifuncional para se aprimorar e ter sucesso em suas várias carreiras, de mãe, mulher, profissional, filha etc.
Dedicação 24 horas nos sete dias da semanaA administradora de empresas Isabella Arantes, da firma de consultoria Accenture, percebeu logo na entrevista de emprego que a empresa esperava dedicação total, e ela estava disposta a oferecer. Com horário para entrar e sem hora para sair, Isabella viaja com freqüência e já passou seis meses cuidando de um projeto na cidade de Macaé, no estado do Rio, voltando para a capital apenas nos fins de semana. Ela, que pretende casar e ter filhos no futuro, reconhece que terá de fazer mudanças para adaptar as duas rotinas:
- Sei que dou um foco muito grande à minha carreira. Mas quem estiver do meu lado vai ter de compreender e aprender a dividir as responsabilidades - destaca Isabella Arantes.
Para Fátima Sanchez, gerente de desenvolvimento de pessoal da empresa Personal Service, que oferece soluções em recursos humanos, mais importante do que a vida pessoal da funcionária é sua satisfação com o emprego:
- Quem está satisfeito e quer ver a organização crescer permanece no trabalho o tempo que for necessário. Por natureza e por questões culturais, a mulher tende a ser mais envolvida com a família e romper esse laço é sempre mais difícil, mesmo quando não envolve filhos.



